Rajoy diz que não desistiu de reeleição na Espanha e que buscará apoios

Madri, 22 jan (EFE).- O presidente interino do Governo da Espanha interino, Mariano Rajoy, anunciou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, que não abriu mão de conseguir a reeleição após uma consulta com o rei Felipe VI e que trabalhará nos próximos dias para tentar conseguir apoios para o debate de posse no Congresso dos Deputados.

"Não renuncio a nada. Não disse não a minha posse", disse Rajoy, que afirmou querer tempo para o diálogo e tentar conseguir apoio de grupos que defendam "a unidade da Espanha, a soberania nacional, a igualdade dos cidadãos e a consolidação da recuperação econômica".

Antes da coletiva de Rajoy, a Casa Real divulgou um comunicado no qual disse que o chefe do governo interino e líder do Partido Popular (PP) havia recusado o convite de Felipe VI para que fosse candidato a permanecer no posto.

A proposta foi feita ao término da rodada de consultas individuais do monarca com líderes dos partidos políticos mais votados nas últimas eleições. Após a rejeição inicial - mas não definitiva - de Rajoy, Felipe VI voltará a convocá-los a partir da próxima quarta-feira.

"A todos os espanhóis, lhes digo hoje não tenho os votos, e portanto não tem nenhum sentido de que vá lá (no Congresso) simplesmente para que comece a correr o prazo de dois meses que a Constituição espanhola dá", afirmou o chefe do governo interino sobre o limite para a convocação de novas eleições no país.

Rajoy reivindicou a vitória de seu partido no pleito do fim do ano passado e reiterou sua intenção de formar um governo de grande coalizão formado por seu partido, o centro-direitista PP, o socialista PSOE e o liberal-centrista Ciudadanos.

O governante afirmou que acredita que esta coalizão daria "uma mensagem de estabilidade e de certeza" à Espanha.

As eleições legislativas espanholas de 20 de dezembro de 2015 tiveram como vencedor o Partido Popular (PP), de Rajoy, com 123 cadeiras no Congresso dos Deputados - número insuficiente para governar sem apoio de uma ou mais legendas bem votadas, pois ficou abaixo da maioria dos assentos, que era de 176. Em segundo lugar no pleito ficou o PSOE (90 deputados), seguido por Podemos (69) e Ciudadanos (40).

Rajoy criticou a postura do líder do PSOE, Pedro Sánchez, que rejeitou em várias ocasiões formar uma ampla coalizão junto com PP e Ciudadanos que somaria 253 cadeiras, muito acima das 176 necessárias para governar.

"Há capacidade para entendimento se houver vontade", disse o governante, que descartou ceder a presidência dessa hipotética coalizão.

"É muito importante respeitar a vontade do povo, que elegeu o PP com clareza", disse Rajoy, quem pediu um "esforço de pedagogia" para "não pôr em xeque" esta vontade.

Para a decisão do candidato do PP, teve influência a proposta que foi apresentada hoje ao rei pelo líder do Podemos, Pablo Iglesias, de formar um governo no qual ele seria o vice-presidente, e o líder do PSOE, o presidente.

Esta possível alternativa de governo não teria a maioria suficiente para governar e precisaria do apoio de várias legendas nacionalistas e de esquerda no Congresso.

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