Schäuble critica Áustria por não coordenar com Alemanha limite de refugiados

Berlim, 22 jan (EFE).- O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, lamentou nesta sexta-feira que o governo austríaco não tenha coordenado com o alemão o estabelecimento de um limite de quantos refugiados que o país está disposto a receber nos próximos anos.

"Tive que respirar fundo quando soube que a decisão não tinha sido coordenada conosco. A chanceler (Angela Merkel) se preocupou nos últimos meses em ter uma intensa coordenação com a Áustria", disse Schäuble em uma entrevista à edição digital da revista "Der Spiegel".

Apesar disso, Schäuble lembrou que a capacidade de amparo dos países da UE não são ilimitadas e considerou que não faz sentido começar agora com trocas de críticas.

"Sabemos que as capacidades dos países da UE não são ilimitadas e por isso não faz sentido que comecemos a criticar uns aos outros. Todos aceitamos que a Suécia introduzisse controles fronteiriços e se trata de um dos países mais abertos à imigração", acrescentou.

O ministro acrescentou que na UE há consenso que é preciso reduzir a pressão migratória, para o que é necessário "investir bilhões em Turquia, Jordânia e outros países da região".

Após reiterar que o tempo pressiona, considerou "um erro" que, ao contrário do que ocorreu com a crise do euro, alguns países da UE sintam que a pressão migratória não os afeta.

Há na Alemanha atualmente um duro debate sobre a conveniência de fixar um limite concreto ao número de refugiados que o país pode receber.

Merkel recusa essa ideia e diz que é preciso buscar uma redução da pressão migratória combatendo as razões pelas quais os refugiados deixam suas regiões de origem e ajudando os países vizinhos que podem acolhê-los, dentro de uma solução europeia.

No entanto, a União Social-Cristã (CSU), ala bávara da União Democrata-Cristã (CDU), o partido de Merkel, exige um teto concreto e pede além disso controles fronteiriços mais rígidos.

O dissidência com Merkel levou o chefe da CSU, Horst Seehofer, a dizer que está "decepcionado" com a chanceler e ameaçou recorrer inclusive ao Tribunal Constitucional se não for estabelecido um freio ao amparo de solicitantes de asilo.

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