Vítimas de Pinochet criticam campanha que compara aborto com desaparecidos

Santiago do Chile, 22 jan (EFE).- Os familiares das vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) criticaram nesta sexta-feira a campanha publicitária de uma organização contrária ao aborto que compara a dor de uma mãe que aborta com os desaparecimentos forçados durante o regime militar.

O Agrupamento de Familiares de Detidos Desaparecidos (AFDD) soltou uma declaração pública que acusa a campanha de ser uma falta de respeito e "uma provocação aberta para quem abraça a causa dos direitos humanos, para as famílias de vítimas de desaparecimentos forçadas e para todo o país".

A organização Chile de Blanco instalou um outdoor na Rota 68, que liga Santiago a Valparaíso, em que se pode ler "Onde estarão? Abortos e desaparecidos: o mesmo luto", junto com uma foto de uma manifestação contra o aborto.

A AFDD lamentou que quem compara o aborto com o desaparecimento forçado nunca tenha levantado a voz pelas mulheres assassinadas e desaparecidas durante a ditadura de Pinochet, entre as quais havia nove grávidas.

Segundo o grupo, o desaparecimento forçado é um crime reconhecido pelas Nações Unidas que "diariamente afeta centenas de seres humanos no mundo" e que no Chile se tornou uma "política de Estado" durante o regime militar.

O governo da presidente Michelle Bachelet apresentou um projeto que propõe descriminalizar o aborto em três casos: quando houver risco para a vida da mãe, de inviabilidade do feto e de estupro.

A iniciativa, rejeitada pela oposição conservadora e por alguns setores da Democracia Cristã, está tramitando no parlamento.

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