Suposta candidatura presidencial de Bloomberg desperta pouco entusiasmo

Agustín de Gracia.

Nova York, 25 jan (EFE).- A possível intenção do ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, de disputar a Casa Branca foi recebida com frieza, ou mesmo rejeição, entre os políticos de seu estado, enquanto o próprio magnata mantém silêncio a respeito.

A imprensa nova-iorquina já começa a imaginar a "briga entre multimilionários" que colocaria Bloomberg frente a frente com o também magnata Donald Trump, o pré-candidato favorito do Partido Republicano para os pleitos presidenciais do próximo mês de novembro.

"O povo deste país não vai pedir aos multimilionários que resolvam problemas que em sua maioria foram criados por multimilionários", afirmou hoje, taxativo, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, ao ser consultado sobre o assunto.

De Blasio e o governador do estado, Andrew Cuomo, deixaram clara sua preferência em favor de Hillary Clinton, que lidera as enquetes nacionais entre os democratas, na frente de Bernie Sanders.

Nem no lado republicano nem no democrata, mas como independente, é o que está planejando Bloomberg em suas supostas aspirações para chegar à Casa Branca, algo que não é a primeira vez que cogita, segundo informou no sábado o jornal "The New York Times".

Fontes próximas do ex-prefeito, segundo o "NYT", sustentam que Bloomberg, de 73 anos, pediu a seus colaboradores que comecem a revisar planos nesse sentido, embora não se espere que vá tomar uma decisão antes de março.

Para então, os eleitores democratas e republicanos estarão envolvidos nos pleitos internos dos dois partidos, e, caso Bloomberg se some à corrida, concorrerá com certa desvantagem nesse sentido.

Segundo o "NYT", Bloomberg se preocupa, pela direita, com o avanço de Trump no lado republicano, e, pela esquerda, com a possibilidade de que o democrata Bernie Sanders possa chegar a desafiar a candidatura de Hillary Clinton.

De acordo com a versão do jornal, Bloomberg está disposto a gastar US$ 1 bilhão em sua campanha, mais ou menos o que o magnata Trump disse que está disposto a investir para chegar à Casa Branca.

Se de dinheiro se trata, Trump, magnata imobiliário e de televisão, tem pouco que fazer contra Bloomberg.

De acordo com os dados atualizados continuamente pela revista "Forbes", a que mais de perto segue as contas dos ricos de todo o mundo, a fortuna de Bloomberg se eleva a US$ 36,5 bilhões.

A mesma fonte atribui a Trump uma fortuna de US$ 4,5 bilhões, embora ele garanta que tenha o dobro e que não se importaria de perder US$ 1 bilhão para chegar à Casa Branca.

"Faço US$ 400 milhões ao ano, que diferença pode fazer?", disse Trump ainda no ano passado, pouco após lançar sua campanha.

Essa batalha de milionários nova-iorquinos será travada se Bloomberg se lançar à campanha eleitoral, o que, para políticos como Bill de Blasio, não é o que os americanos estão esperando.

"As pessoas não querem que os ricos sigam no poder", afirmou hoje o prefeito da cidade.

Mais comedido, o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, que também apoia Hillary, afirmou hoje que a única coisa que deseja a Bloomberg é sorte se verdadeiramente se lançar à corrida presidencial.

Na linha de De Blasio, Sanders, o pré-candidato presidencial que se destacou por suas propostas mais progressistas, disparou contra as fortunas de Bloomberg e Trump.

"Isto não é o que acredito que deva ser a democracia americana, uma competição entre multimilionários. Se isso realmente acontecer, tenho certeza que ganharei", disse Sanders em entrevista a uma emissora de televisão.

Trump, por outro lado, enxerga a chegada de Bloomberg com bons olhos. "Eu gostaria de concorrer com ele (...) É meu amigo há muito tempo. Quis (concorrer à Casa Branca) por muito tempo, mas nunca deu esse passo", afirmou o magnata no domingo.

Por enquanto, Bloomberg acompanha esse debate do lado de fora e não surgiram comentários seus sobre as notícias do "NYT".

Em abril de 2014, o multimilionário, que tem passagens tanto pelo Partido Republicano como pelo Democrata, disse que não tinha intenções de chegar à Casa Branca, e que queria passar o resto de sua vida se divertindo com sua família.

"Este é um país de dois partidos, acredito que é pouco provável que alguma vez haja um candidato de um terceiro partido que possa ganhar", disse então Bloomberg.

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