Copiloto da Germanwings quase não dormia por problemas psicológicos

Paris, 27 jan (EFE).- Andreas Lubitz, o copiloto responsável pelo acidente aéreo envolvendo um voo da Germanwings nos Alpes franceses em 24 de março, quase não dormiu nos dias prévios ao ocorrido por conta de problemas psicológicos.

O jornal "Le Parisien" publicou nesta quarta-feira parte das mensagens que Lubitz enviou a um de seus médicos, nas quais assegurava temer que os problemas de visão o impediriam de manter seu posto na companhia alemã.

"Sigo passando noites nas quais quase não durmo. Meu tempo de sono é no máximo de duas horas por noite, mas atualmente essa duração diminuiu", escreveu o copiloto em um e-mail enviado em 10 de março a um de seus psiquiatras.

Lubitz começou a temer a perda de seu emprego quando em dezembro de 2014 foi ao médico ao desenvolver problemas de visão.

Pouco antes do Natal, um exame indicou que podia estar com uma doença degenerativa que podia lhe deixar cego.

Esse problema virou uma obcessão, ele quase não dormia e procurou muitos médicos: clínicos gerais, oftalmologistas e psquiatras. No total foram 30 especialistas entre janeiro e março, sete no mês prévio ao acidente.

Um deles descreveu Lubitz perante os investigadores, segundo o "Le Parisien", como "uma pessoa insegura, que dava a impressão de estar sob pressão". E acrescentou que após a consulta, pensou: "eu não gostaria que este homem estivesse no comando de um avião".

No começo de março, os exames descartaram uma origem orgânica de seus problemas de visão e concluíram que se tratava de uma patologia psicológica.

Mas Lubitz, que já superou em 2009 uma depressão, garantiu na mensagem de 10 de março que não queria voltar a passar por um tratamento psiquiátrico e insistiu que tinha um problema nos olhos e que necessitava de algo para dormir.

O psiquiatra diagnosticou então "suspeitou de psicose" no paciente, uma conclusão que foi confirmada nos dias seguintes por um clínico geral.

Mas as sucessivas baixas trabalhistas que foram prescristas não chegaram nunca à Germanwings e foram encontradas no domicílio do copiloto, que proibiu os médicos de entrarem em contato com a companhia aérea em nome do segredo médico.

Em 16 de março, um psiquiatra receitou um potente sonífero e em seu relatório garantiu que Lubitz não tinha delírios, alucinações ou tendências suicidas.

Em paralelo, Lubitz tinha começado a buscar na internet modos de se suicidar. Em 18 de março, buscou a quantidade de soníferos que tinha que consumir para morrer e, no dia seguinte, introduziu em um procurador a frase "suicídio trem".

Em 20 de março, informou-se sobre o sistema de fechamento das cabines dos aviões, informação que, quatro dias mais tarde, serviu para que se trancasse quando o comandante do voo se ausentou e derrubar o avião com 150 pessoas a bordo nos Alpes franceses.

Nesse mesmo 20 de março, um psiquiatra apontou em seu relatório que Lubitz dormia melhor e que em sua vida privada tudo corria de maneira normal. "Relações com seus pais, Ok. Amigos, Ok. Tem o trabalho de seus sonhos. Quer a sua mulher mais que tudo".

Na véspera do acidente, o copiloto foi fazer compras semanais com sua esposa, jantou em casa e posteriormente assistiu televisão.

Lubitz buscou na internet informação sobre problemas de insônia e sobre o testamento vital caso fosse mantido vivo de forma artificial.

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