Dissidência iraniana protesta em Paris contra visita de Rohani

Flavia de Farraces

Paris, 28 jan (EFE).- A dissidência iraniana protestou nesta quinta-feira em Paris contra a visita do presidente do Irã, Hassan Rohani, com uma manifestação que avançou pisoteando fotos do líder da revolução islâmica, Ruhollah Khomeini.

Antes de percorrer as ruas, vários centenas de pessoas se concentraram para denunciar as execuções do regime iraniano.

Desde o palco da praça Denfert-Rochereau, no sul da capital, várias personalidades francesas criticaram a posição "inaceitável" dos países europeus perante a chegada do líder, que encerrou hoje sua viagem oficial de dois dias à França.

O advogado especializado em direitos humanos Henri Leclerc, de 81 anos, denunciou à Agência Efe a "tirania" do regime. "É o segundo país com maior número de execuções, não podemos fazer negócios com eles sem pelo menos denunciar esses abusos".

Cerca de 30 figuras conhecidas, entre elas o ex-ministro da Justiça Robert Badinter, tinham assinado previamente um manifesto por uma maior "firmeza" da França frente a "2 mil execuções de presos no Irã" desde a chegada de Rohani ao poder em 2013.

Diante do palco, uma dezena de ativistas do Conselho Nacional de Resistência Iraniana (CNRI), organização que reúne diversos grupos opositores, encenavam enforcamentos simbólicos.

Entre os manifestantes, com bandeiras e peças de roupa amarelas, cor do CNRI, Paria Kohandel, de oito anos, explicou à Agência Efe que seu pai tinha passado mais de uma década na prisão no Irã por motivos políticos.

"Estou aqui para ser sua voz", destacou Kohandel, que chegou à Europa há meio ano para escapar da situação em seu país.

O eurodeputado Alejo Vidal-Quadras uniu-se à mobilização para ressaltar os abusos de Rohani, um "rosto amável que lidera um regime ditatorial".

"O interesse econômico se impôs sobre qualquer outra consideração. Não protestamos pelo restabelecimento de relações, mas pelo silêncio vergonhoso dos governos europeus", afirmou em referência ao recente levantamento das sanções impostas ao Irã em 2006 por seu controverso programa atômico.

Enquanto desfraldava a imagem de uma presa política iraniana, Amir Ranjbari, dentista de 34 anos, relatou que estavá há 17 anos exilado.

"Em meu país não podia viver, nem sequer ir à universidade, porque os homens do regime controlam os exames de acesso", denunciou.

Para Ranjbari, que foi desde a Alemanha ao protesto, a diferença entre Rohani e o anterior presidente, Mahmoud Ahmadinejad, é a que existe entre "o mau e o pior".

Perto dele, Marzieh Babajani, refugiada política na França de 53 anos, afirmou que Rohani é "mais do mesmo" porque embora "faz gestos de moderação, não é moderado, porque segue as instruções do Guia Supremo, Ali Khamenei".

Babajani tem o rosto queimado desde que em 2003 se ateou fogo em protesto pela detenção de mais de 160 companheiros dissidentes na periferia parisiense pela polícia francesa.

A manifestação de hoje desembocou no Palácio dos Inválidos, o mesmo lugar onde foi recebido com honras o presidente iraniano, que chegou a Paris acompanhado de uma nutrida delegação ministerial e empresarial.

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