Irã enviou milhares de afegãos para lutar na Síria, denuncia ONG

Beirute, 29 jan (EFE).- Os Guardiães da Revolução iraniana recrutaram milhares de afegãos imigrantes ilegais que viviam no Irã para mandá-los lutar na Síria desde novembro de 2013, denunciou nesta sexta-feira a Human Rights Watch (HRW).

Segundo relatório da ONG, as autoridades iranianas querem que os afegãos defendam os lugares sagrados para os xiitas na Síria e lhes ofereceram incentivos financeiros e uma permissão legal de residência no Irã para animá-los a se alistarem nas milícias pró-governo que operam no território sírio.

No entanto, alguns afegãos informaram que foram coagidos a se alistar nesses grupos armados.

A HRW entrevistou 20 afegãos que viveram em solo iraniano. Alguns disseram que eles ou parentes tinham sido forçados a combater na Síria, e que mais tarde ou bem fugiram e alcançaram a Grécia, ou foram deportados ao Afeganistão por se negar a fazer.

O diretor de Emergências da HRW, Peter Bouckaert, apontou na nota que "o Irã não só ofereceu a refugiados e imigrantes afegãos incentivos para lutar na Síria, mas também ameaçou deportá-los ao Afeganistão".

O responsável humanitário destacou que perante esta escolha muitos optaram por escapar à Europa desde o Irã.

Segundo dados da HRW, o Irã acolhe cerca de 3 milhões de afegãos, muitos dos quais fugiram do conflito armado em seu país.

Apenas 950 mil são reconhecidos legalmente como refugiados no Irã, cujo governo excluiu o resto do processo para obter status de refugiado, fazendo com que muitos sejam imigrantes ilegais ou tenham vistos temporários.

As autoridades da República Islâmica alegam que milhares de afegãos se voluntariaram para se unir a milícias no território sírio, mas a HRW advertiu que sua vulnerável situação legal no Irã e o medo a ser deportado poderia contribuir para essa decisão.

O testemunho dos afegãos que viajaram à Síria revela que os cidadãos deste país estão organizados e comandados por oficiais militares iranianos e costumam lutar em distintas partes do país árabe, como Damasco, Aleppo, Homs, Deir ez Zor, Hama, Latakia e em áreas limítrofes com as Colinas de Golã, ocupados por Israel.

Esses afegãos dizem que seus comandantes iranianos lhes forçaram a desenvolver operações perigosas como avançar contra posições do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) só com armas automáticas ligeiras e sem o respaldo da artilharia.

Em alguns casos, os oficiais iranianos ameaçaram disparar se não forem obedecidos.

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