Israel autoriza homens e mulheres a orar juntos no Muro das Lamentações

Jerusalém, 31 jan (EFE).- O governo israelense aprovou neste domingo uma histórica iniciativa para que homens e mulheres possam rezar juntos no Muro das Lamentações, uma medida que grupos progressistas judeus defendiam há duas décadas.

A decisão foi aprovada, apesar da oposição dos membros dos partidos ultra ortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá, além dos ministros do conservador Likud, Ze'ev Elkin, e do Lar Judaico, Uri Ariel, informou a imprensa local.

A iniciativa estabelece a abertura de uma nova esplanada de rezas na frente do Muro das Lamentações, o lugar mais sagrado do judaísmo, de modo que homens e mulheres possam rezar juntos como costuma acontecer nas sinagogas de conservadoras e reformistas do judaísmo. Até agora, o Muro era controlado pela corrente ultra ortodoxa, de modo que as rezas eram feitas separadamente em duas esplanadas divididas por uma pequena cerca.

O jornal "Yedioth Ahronoth", o de maior tiragem no país, qualificou a decisão de "histórica" pelo valor que representa o reconhecimento do direito de grupos progressistas a rezar nesse lugar sagrado de acordo com seus ritos.

"Até agora, (o Muro) estava sob o controle de uma extrema direita com uma mentalidade limitada e de ultra ortodoxos idólatras que têm uma visão limitada de Deus e do judaísmo", disse à Agência Efe a rabina Susan Silverman, membro da junta Mulheres do Muro, grupo de ativistas da corrente reformista que luta pela liberdade de culto nesse local há 20 anos.

"Estamos aqui para romper com os ídolos e entender que Deus é infinito, com o qual todos nós temos uma relação", disse ela, comemorando a decisão.

O executivo israelense destinará mais de US$ 10 milhões ao plano de criação de um novo lugar de culto no trecho sul do Muro, que há 2 mil anos servia de contenção à esplanada do bíblico templo de Jerusalém. Hoje, nesse lugar há um parque arqueológico, que ficará sob a nova esplanada, de acordo com o projeto.

Outro dos aspectos cruciais da resolução é que, ao contrário da situação atual, a ortodoxia não terá a custódia da nova esplanada, rompendo com o monopólio que esta corrente tinha do lugar. O novo local de rezas, a poucos metros dos outros dois ortodoxos, será administrado por uma comissão mista com representantes das correntes conservadora e progressista, delegados do governo, das Mulheres do Muro e da Agência Judaica, o órgão que administra as relações com os judeus da diáspora.

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