Hillary se divide entre o pragmatismo e o progressismo na reta final de Iowa

Lucía Leal.

Council Bluffs (EUA), 1 fev (EFE).- Hillary Clinton, a pré-candidata favorita entre os democratas, oscila entre o pragmatismo e o progressismo para cimentar sua segunda campanha à presidência dos Estados Unidos e evitar que se repita a situação de 2008, quando Barack Obama lhe arrebatou a vitória nas eleições primárias de Iowa.

Em seus últimos atos de campanha em Iowa, que hoje será o primeiro estado a votar, Hillary tentou alcançar um equilíbrio entre o pragmatismo que a distingue de seu principal rival, o senador socialista Bernie Sanders, e a mensagem contra a desigualdade econômica que se transformou em lema para gerar entusiasmo entre os democratas.

"Não quero prometer demais e conseguir pouco. Prefiro prometer menos e conseguir mais", disse Hillary ontem na cidade de Council Bluffs, em um de seus últimos atos de campanha.

Hillary chega praticamente empatada com Sanders para o caucus (assembleia geral) de Iowa, onde uma pesquisa lhe dava no sábado três pontos de vantagem sobre o senador, mas a última pesquisa outorga a ele a vitória pela mesma margem.

Nesse contexto, tudo pode depender do grau de participação nesse caucus do qual normalmente só participam os eleitores mais progressistas e os mais motivados.

Esse entusiasmo era até agora o principal ativo de Sanders, cujos simpatizantes respondem com fervor a seu discurso contra Wall Street.

Mas, nos últimos comícios de Hillary, as aclamações começaram a ser mais perceptíveis, à medida que a ex-secretária de Estado se declarava "enfurecida" sobre a desigualdade de renda no país e se comprometia a fazer todo o necessário para estreitá-la.

Ao mesmo tempo, Hillary se apresenta como a sucessora natural do presidente Obama e como a mais qualificada para efetuar essas mudanças dentro do sistema estabelecido, frente à "revolução política" proposta por Sanders.

"De todos os candidatos, é claramente a mais capaz", disse à agência Efe Kirk, um eleitor de meia idade de Council Bluffs que fazia fila este domingo junto com seu filho Chris para ver a ex-secretária de Estado.

No caucus de 2008, Kirk votou em John Edwards, outro democrata, mas agora acredita que Hillary é uma candidata diferente que há oito anos: mais progressista, mais "aberta" e que se conecta mais com todos os setores da população.

"Penso que vai impulsionar as mesmas políticas impulsionadas pelo presidente Obama, talvez até de forma mais progressista", acrescentou Kirk, para quem Hillary é uma opção mais "prática" que Sanders.

"Acho que Sanders tem boas ideias, mas pode ser que seja um pouco agressivo para os republicanos, talvez estejam um pouco assustados com suas políticas. Acredito que ela fará um trabalho melhor que Bernie na hora de conseguir cooperação (dos republicanos)", concluiu.

A fila na qual esperava Kirk estava abarrotada de mulheres de meia idade, a base de eleitores mais segura de Hillary e um dos grupos demográficos mais participativos no caucus.

"Estou há anos dizendo que precisamos de uma mulher" na Casa Branca, afirmou à Efe Shelley Woods, que apoia Hillary desde 2008 e garante que ela "fortaleceu seus valores" desde então.

Para Hillary é mais complicado convencer às mulheres jovens, que como os homens de sua idade se sentem atraídas pela mensagem de Sanders, mas tem todo um batalhão de voluntários com cerca de 20 anos.

"Não é verdade (que Hillary atraia pouco os jovens). Os garotos do ensino médio estão fazendo voluntariado para ela e os universitários também", assegurou à Efe uma das jovens organizadoras da campanha de Hillary, Jenny Glass.

"O entusiasmo é algo muito real nesta campanha", reforçou Glass.

Talvez o exemplo mais claro de entusiasmo por Hillary seja encarnado por Krishna Haney, uma jovem que viajou para Iowa de Chicago (Illinois) para bater de porta em porta e pedir votos para Hillary.

Vestida com uma blusa com o logo de campanha da ex-primeira dama e brandindo um coração gigante no ar, Haney garante que não está preocupada pela ascensão de Sanders em Iowa.

"Tive muito boas respostas quando ia de porta em porta, e acho que com todos os atos que está realizando, Hillary vai sair muito reforçada. Porque quando você a ouve falar, esquece qualquer impressão negativa que possa ter", comentou Haney.

Hillary terminou seu comício em Council Bluffs apresentando-se como a candidata da "experiência", e Haney acredita que esse será um fator decisivo para muitos eleitores.

"Quando chegar à Casa Branca, vai agir rapidíssimo. Nem sequer terão que explicá-la onde fica o banheiro. Ela já sabe, já viveu ali", lembrou Haney.

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