OMS estabelece Unidade de Resposta Global para coordenar ações contra zika

Genebra, 2 fev (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma Unidade de Resposta Global para coordenar as ações de combate à epidemia do zika vírus e sua associação com o aumento repentino de casos de microcefalia e outras disfunções neurológicas em bebês recém-nascidos.

O anúncio foi feito nesta terça-feira em entrevista coletiva Antony Costello, especialista em microcefalia da OMS, que explicou que todos os departamentos envolvidos se reuniram na manhã de hoje para começar a trabalhar imediatamente.

A OMS declarou ontem que os dois grupos de casos de microcefalia e outras desordens neurológicas detectadas no Brasil e na Polinésia Francesa e sua possível relação com o zika vírus são uma emergência de sáude de alcance internacional.

Costello explicou que criaram rapidamente esta unidade "após as lições aprendidas durante a crise do ebola".

A OMS só estabeleceu uma emergência sanitária de alcance internacional em três ocasiões anteriores: pólio, gripe H1N1, e ebola, mas foi muito criticada por ter demorado meses a anunciá-la para esta última doença, que matou mais de 11 mil pessoas na África Ocidental.

Costello voltou a destacar hoje o fato de que a emergência foi declarada pelos casos de microcefalia e outras más-formações e não pelo vírus de zika por si só, já que se trata de uma doença assintomática em 75% dos casos e no restante com efeitos muito leves.

"Não podemos ignorar que houve um aumento repentino de microcefalia. Quatro mil casos suspeitos são muitos para uma enfermidade que normalmente se dá em 1 a cada 3 mil nascimentos".

E o que a OMS teme é a associação. "Achamos que a associação (entre o vírus e as más-formações) é culpada até que se prove inocente", sentenciou o especialista.

"Sabemos que as infecções virais podem causar microcefalia, e é por isso que temos suspeitas", acrescentou.

Até agora está comprovado que se uma gestante tiver rubeóla, toxoplasmose, citomegalovírus, algumas herpes, ou contato com toxinas e metais pesados, ou em algumas condições genéticas, seu feto pode desenvolver microcefalia.

No Brasil antes deste surto, havia uma média de 160 casos por ano.

Mas Costello também lembrou que há pouquíssimos casos em que se pôde comprovar a relação direta: segundo as estimativas da OMS, só foram detectados 12 bebês com microcefalia de mães comprovamente infectadas pelo zika.

O Brasil está investigando 4.200 casos de bebês suspeitos de sofrer microcefalia, mas só em 270 se confirmou que realmente as crianças têm essa má-formação.

O problema está essencialmente no diagnóstico, pois o vírus só está ativo no corpo por cinco dias e é indetectável depois desse prazo, o que torna muito difícil determinar se a mulher esteve exposta ou não à infecção.

"A mulher pode estar ou ter sido exposta ao vírus há meses e não temos como sabê-lo", admitiu.

É por isso que tanto Costello como a diretora geral da OMS, Margaret Chan, insistiram na importância crucial de desenvolver um teste de diagnóstico que possa determinar com certeza e em um período de tempo mais longo a presença do zika.

Costello não quis responder sobre a leis de interrupção da gravidez e se a OMS pretende fazer alguma recomendação a respeito, mas lembrou que na maioria dos casos só se pode estabelecer a enfermidade depois de o bebê nascer, porque é muito difícil de determiná-la mesmo com o uso de ultrassonografias de alta geração. EFE

mh/cd

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