Cerca de 3 mil jornalistas foram mortos nos últimos 25 anos, aponta IFJ

Bruxelas, 3 fev (EFE).- Pelo menos 2.297 jornalistas, 112 só em 2015, foram assassinatos no mundo todo nos últimos 25 anos, segundo um relatório da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) publicado nesta quarta-feira.

Desde 1990, foram registrados 309 assassinatos de profissionais da informação no Iraque, 146 nas Filipinas, 120 no México, 115 no Paquistão, 109 na Rússia, 106 na Argélia, 95 na Índia, 75 na Somália, 67 na Síria e 62 no Brasil, os países com mais homicídios de jornalistas, de acordo com os dados da IFJ.

Em 2015, os Estados com o maior número de informantes assassinados foram França, Iraque e Iêmen com dez mortos, devido ao ataque terrorista à revista satírica francesa "Charlie Hebdo".

Por regiões, a Ásia-Pacífico registrou o maior número de assassinatos desde 1990 (571), seguida do Oriente Médio (473), América (472), África (424) e Europa (357).

O número de jornalistas assassinados, que segue em três dígitos desde 2010, alcançou seu máximo em 2006, quando foram contabilizados 155 mortes, enquanto os anos com menos homicídios foram 1998 e 2000, ambos com 37.

"Este relatório é muito mais que um registro dos assassinatos de nossos companheiros", garantiu em comunicado o presidente da IFJ, Jim Boumelha, que ressaltou que é "uma homenagem à coragem e ao sacrifício pago por milhares de jornalistas que perderam suas vidas enquanto cumpriam com a missão de informar os cidadãos".

Os dados da IFJ mostram que os crimes "afetam todo o mundo" e não ocorrem somente em lugares em guerra ou sob conflitos violentos, embora nestes palcos foram registradas muitas mortes em assassinatos premeditados, bombardeios, incidentes em fogo cruzado e sequestros violentos.

"Havia outros motivos, frequentemente fora do clima de guerra, para atacar os jornalistas, muitos dos quais são vítimas de oficiais corruptos e líderes criminosos", afirmou o secretário- geral da IFJ, Anthony Bellanger.

Bellanger recalcou que "houve mais assassinados em situações de paz do que em países em guerra".

O relatório critica que só uma de cada dez mortes foi investigada e denuncia que "a falta de ação para erradicar a impunidade com os assassinatos e ataques aos profissionais dos meios de comunicação aviva a violência contra eles".

A IFJ especifica que o objetivo do estudo é dar a voz de alarme contra a violência nos veículos de comunicação e promover a proteção dos jornalistas, além de diminuir os riscos para sua segurança.

O relatório destaca que o aumento da segurança é "uma responsabilidade compartilhada" que inclui o trabalho das empresas e dos próprios jornalistas na educação para avaliar riscos, evitar coberturas que não são planejadas com as suficientes cautelas e tomar as precauções necessárias quando se trabalha em entornos conflituosos.

No entanto, isto deve começar "com o entendimento de que qualquer pessoa que trabalhe com os jornalistas deve respeitar sua independência", afirmou Bellanger.

"Isto requer que os governos cumpram com suas obrigações internacionais de investigar os assassinatos dos jornalistas e sentar com os autores destes crimes no banco, dissuadindo assim qualquer violência futura", opinou o secretário-geral da IFJ.

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