Presidente da Á. do Sul devolverá parte do dinheiro público gasto em casa

Johanesburgo, 3 fev (EFE).- O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, aceitou devolver parte dos 246 milhões de rands (14 milhões de euros) de dinheiro público que gastou há seis anos na reforma de sua residência, como pediu a Defensora do Povo.

"Para acabar com esta interminável disputa de acordo com as recomendações da Defensora do Povo, o presidente propõe que se determine de forma independente e imparcial a quantidade que deve pagar", diz um comunicado da presidência divulgado nesta quarta-feira.

Com esta proposta, Zuma pretende conseguir um acordo que ponha fim ao processo judicial contra si pelo Tribunal Constitucional a pedido da oposição, cuja audiência está marcada para 9 de fevereiro.

Zuma sugere que o Auditor Geral (cargo similar ao do Defensor Público, que tem como função supervisionar as contas públicas) e o ministro das Finanças sejam designados pelo Tribunal para determinar a quantidade que deve devolver.

A presidência justificou como obras destinadas a garantir a segurança do líder -e portanto a cargo do contribuinte- a construção em sua residência de Nkandla de um estábulo para vacas, um curral para frangos, uma piscina e um anfiteatro, segundo o relatório que publicou a Defensora do Povo, Thuli Madonsela, em 2014.

Neste mesmo documento, pede-se para calcular, com ajuda da Tesouraria Nacional e da Polícia, o custo das obras que não estavam relacionadas com sua segurança.

Após muitas reservas e as repetidas exigências da oposição no parlamento, Zuma encarregou o cálculo ao ministro da Polícia, que exonerou o presidente de devolver qualquer quantidade.

Em seu relatório, o ministro de Polícia, Nkosinathi Nhleko, membro do governista Congresso Nacional Africano (CNA) que lidera Zuma, assegurava que a piscina é "um elemento estratégico para apagar fogos", e portanto uma infraestrutura dedicada à segurança.

A mesma qualificação mereceu o espaço para os animais.

Jacob Zuma chegou em 2009 à presidência da África do Sul, depois que a Justiça retirou mais de 700 acusações por corrupção que pesavam contra ele.

Zuma, de 73 anos, revalidou em 2014 o cargo com maioria absoluta, apesar das várias acusações de corrupção contra ele e sua administração.

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