Alemanha recebe fluxo recorde de 10 mil imigrantes marroquinos em 2 meses

Javier Otazu.

Rabat, 4 fev (EFE).- Mais de dez mil imigrantes marroquinos em situação irregular chegaram à Alemanha em apenas dois meses, um movimento inédito que fez à chanceler Angela Merkel entrar em contato com o rei Muhammad VI para encontrar uma forma de extraditá-los.

Fontes diplomáticas alemãs em Rabat (Marrocos) disseram à Agência Efe que a estes dez mil imigrantes, qualificados como "expulsáveis" por ter entrado na Alemanha irregularmente entre dezembro e janeiro, se somam outros dois mil que já estavam ilegalmente por lá antes desta onda, que também afetou, ainda que em menor medida, Suécia e Áustria.

Além dos marroquinos, "um número ainda maior" de argelinos também chegou ao país no mesmo período e da mesma maneira: um voo regular de Istambul, uma viagem de balsa até a Grécia e de lá para à Alemanha, com o auxílio das máfias.

Segundo as fontes diplomáticas, o perfil destes recém-chegados é quase sempre o mesmo: pessoas com idades entre 18 e 40 anos, solteiras e com nível social e cultural baixo. Essas características coincidem com o estudo que a Organização Internacional de Migrações (OIM) fez entre os marroquinos que chegam até a Grécia, segundo seus representantes em Rabat.

As fontes da OIM explicaram que nas entrevistas realizadas na Grécia perceberam a grande influência que têm as "histórias de sucesso", verdadeiras ou não, que outros marroquinos divulgaram nas redes sociais e que serviram de incentivo para tentar a sorte e conquistar o sonho europeu ou, mais precisamente, o sonho alemão.

Em um vídeo postado no YouTube com ampla repercussão na imprensa, três jovens com sotaque marroquino mostram, em algum lugar da Alemanha, sua felicidade. "Eles nos dão comida, bebida e até dinheiro. Não pensamos em voltar. Que Alá recompense a tia Merkel".

No entanto, a "tia Merkel" não pensa assim e no último dia 27, ligou para o rei Muhammad VI para analisar "uma transferência rápida das pessoas (marroquinas) em situação irregular na Alemanha", segundo explicou a Casa Real marroquina.

Em um comunicado emitido no dia sobre o tema foi ressaltado, sem dar números, "os recentes fluxos de emigrantes clandestinos, alguns dos quais se apresentam enganosamente como refugiados, quando são o resultado de um efeito humanitário, mas que foi desvirtuado de seus fins".

De acordo com as fontes diplomáticas, dos 12 mil imigrantes que chegaram à Alemanha irregularmente, apenas uma parte ínfima teve comportamentos criminosos, como os dos envolvidos nos casos de abuso sexual de 31 de dezembro em várias cidades alemãs e protagonizadas majoritariamente por jovens norte-africanos.

Contudo, eles destacaram que o impacto que aqueles fatos tiveram na opinião pública alemã colocou o foco sobre esses emigrantes e agora essa mesma opinião pública precisa de uma "operação muito visível" de repatriação, entre outras ações por ser época pré-eleitoral na Alemanha.

Embora os 12 mil emigrantes estejam devidamente identificados e que exista a vontade do Marrocos, em princípio, de repatria-los - segundo um comunicado da Casa Real -, colocar em prática essas expulsões é complicado, começando pela delimitação de competências (sociais e policiais) entre as esferas públicas.

Além disso, o governo marroquino não aceita o método mais simples: o voo fretado com emigrantes devolvidos, segundo as fontes.

Uma possível solução é o "retorno incentivado" que a OIM promove e que tem crescente interesse entre os marroquinos instalados em território grego. Em apenas dois meses, quase 400 procuraram esses programas voluntários de retorno, com os quais eles voltam com uma "ajuda à reintegração" de 1.500 euros (cerca de R$ 6.500).

As fontes da OIM reforçaram que os beneficiados com estas ajudas são marroquinos desenganados pelas condições de vida na Grécia e a falta de perspectivas de futuro. Vários deles precisam de apoio psicológico pelos traumas vividos, acrescentam.

De qualquer maneira, ainda é preciso ver se os marroquinos que chegaram ao "Eldorado" alemão continuarão pensando assim. Como disse na última terça-feira o respeitado jornalista marroquino Taoufik Bouachrine, não é à toa que os jovens do vídeo do YouTube falam "a tia Merkel": "Eles encontraram em Merkel o carinho que queriam ter em seu país".

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