Conferência de Londres arrecada mais de US$ 10 bilhões para ajudar Síria

Viviana García.

Londres, 4 fev (EFE).- A conferência de doadores para a Síria se comprometeu nesta quinta-feira, em Londres, a ajudar com mais de US$ 10 bilhões os refugiados sírios que fogem do conflito, que provocou o maior desastre humanitário desde a Segunda Guerra Mundial.

"Nunca a comunidade internacional reuniu tanto dinheiro em um dia para uma só crise", afirmou hoje o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao término da reunião, que contou com a participação de líderes de mais de 70 países e ONGs.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, admitiu que apenas o dinheiro não solucionará a catástrofe humanitária na Síria, por isso pediu um "urgente" esforço para encerrar o banho de sangue na Síria e permitir uma "transição política".

Além deste compromisso econômico - superior aos US$ 9 bilhões anteriormente requisitados -, os presentes definiram que os países que receberam refugiados sírios - Turquia, Jordânia e Líbano - receberão empréstimos de aproximadamente US$ 40 bilhões para que possam criar novos empregos, o que será fornecido por instituições financeiras internacionais.

"Como resultado disso, haverá mais de um milhão de novos empregos na região para os refugiados e os residentes também", acrescentou Cameron em referência aos países vizinhos à Síria.

De acordo com Ban Ki-moon, que falou junto ao primeiro-ministro do Reino Unido, os recursos ajudarão a possibilitar que as crianças "voltem à escola".

"O compromisso dos países que recebem um grande número de refugiados de abrir seus mercados trabalhistas é um avanço. Agradeço aos governos da Jordânia, do Líbano e da Turquia por escolherem a solidariedade acima do medo", acrescentou.

A conferência, intitulada "Apoiar a Síria e a região", foi organizada pela ONU, Reino Unido, Alemanha, Noruega e Kuwait, e é a quarta deste tipo (a última foi em março de 2015, no Kuwait).

Ao longo do dia, políticos e representantes de ONGs abordaram assuntos relacionados ao conflito, mas principalmente a falta de escolarização de milhões de crianças, pois a guerra criou 4,6 milhões de refugiados, quase a metade deles menores de idade.

A prêmio Nobel da Paz de 2015, Malala Yousafzai, disse na conferência que não podia aceitar a afirmação das pessoas que consideram como "geração perdida" as crianças que fugiram deste conflito que já dura quase cinco anos.

"O futuro da Síria depende das crianças e o futuro delas depende de vocês", afirmou Malala ao pedir a ajuda da comunidade internacional para aliviar o sofrimento humano.

Para ajudar a encerrar a guerra, Cameron aproveitou a conferência para pedir à Rússia que utilize sua influência, de modo que se permita concretizar um cessar-fogo na Síria.

Apesar de tudo, o primeiro-ministro britânico deixou claro que a comunidade internacional ajudará a população síria "sempre que for necessário" e acrescentou que a ajuda humanitária dará "esperança" para que um dia possam voltar a seu país.

Cameron explicou que um milhão de crianças deveriam conseguir acesso à educação ainda neste ano.

"Isto não é só moralmente correto, mas vital para a estabilidade (da região) a longo prazo. Não podemos ter uma geração de refugiados sem escola, sem poder trabalhar, vulneráveis ao extremismo e à radicalização", comentou.

Ban Ki-moon afirmou que "o que mais ajudará a população da Síria não é só comida para hoje, mas esperança para amanhã". Segundo o diplomata, "mesmo assim, as partes no conflito permanecem profundamente divididas".

"As conversas de paz (em referência às realizadas nesta semana em Genebra) não deveriam ocorrer pela simples razão de falar. Os próximos dias devem ser utilizados para voltar à mesa de negociação", especificou o secretário-geral da ONU, após o diálogo ter ficado suspenso na quarta-feira.

O conflito civil é considerado o maior desastre humanitário do mundo, pois já criou 4,6 milhões de refugiados na região e uma crise migratória na Europa.

De acordo com números divulgados pelos organizadores da conferência, 13,5 milhões de sírios necessitam assistência humanitária, enquanto 250 mil já morreram por causa da guerra.

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