Equador afirma que decisão de Assange após decisão da ONU "é pessoal"

Quito, 4 fev (EFE).- O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, afirmou nesta quinta-feira que "é pessoal" a decisão do fundador do Wikileaks, Julian Assange, que assinalou que está disposto a deixar amanhã a embaixada do país andino em Londres e entregar-se à polícia, se a ONU considerar que sua detenção é legal.

"É uma decisão pessoal. Nós lhe demos proteção e, certamente, essa proteção será mantida, pelos fundamentos pelos quais nós lhe demos o asilo", disse Patiño a jornalistas.

"Por alguma razão ele (Assange) está afirmando que se o grupo de trabalho (da ONU que trata temas de detenções arbitrárias) não lhe der razão, ele se entregaria, com certeza por pensar que assim lhe darão razão", acrescentou.

O titular da diplomacia equatoriana apontou que não deve pronunciar-se enquanto não houver informação oficial: "Quando a tiver, tenham certeza que nós avisaremos", disse Patiño na chancelaria onde participou hoje de um ato oficial.

"Sabemos que o grupo de trabalho especializado de especialistas das Nações Unidas que trata os temas de detenções arbitrárias tiveram mais de um ano para analisar o caso, sabemos que já se pronunciaram e sabemos que esse pronunciamento foi enviado a Grã-Bretanha e a Suécia", detalhou.

O chanceler equatoriano destacou que o grupo de trabalho tem "um protocolo que estabelece que depois de mandar isso aos países envolvidos diretamente, aos quais faz recomendações alguns dias depois, acredito que são dez dias depois, envia às demais pessoas, instituições".

"Conheço especulações sobre o possível resultado, mas não é nada oficial e eu não posso pronunciar-me enquanto isso", reiterou.

A emissora britânica "BBC" informou hoje que a ONU decidiu a favor do fundador do Wikileaks, asilado na embaixada equatoriana em Londres desde 2012, na denúncia que interpôs contra Estados Unidos e Suécia por detenção ilegal.

O jornalista australiano, que revelou segredos sobre a segurança americana, está refugiado há três anos na delegação do Equador na capital britânica a fim de evitar sua extradição à Suécia, que lhe requere para interrogar por supostos delitos sexuais.

Em setembro de 2014, Assange levou seu caso perante a ONU por suposta "detenção arbitrária", já que será aprisionado pela polícia britânica assim que botar um pé fora da embaixada equatoriana.

Em sua queixa enviada às Nações Unidas, o jornalista emitiu um "pedido urgente de socorro" perante esse painel de especialistas legais e solicitou sua "opinião sobre a natureza arbitrária" de sua detenção.

No documento entregue por Assange à ONU, o jornalista detalha suas circunstâncias durante os anos que viveu na delegação do Equador e nos quais considera que foi "privado de várias liberdades fundamentais", e indica que essas circunstâncias constituem uma "detenção arbitrária".

Londres já esclareceu que não tem nenhuma intenção de acatar essas conclusões - que não são juridicamente vinculativas - e lembrou que segue vigente uma "ordem de detenção europeia" contra Assange para extraditá-lo à Suécia.

Em mensagem no Twitter, Assange disse que, se a ONU decidisse contra ele e anunciasse que perdeu o caso contra o Reino Unido e Suécia, deixaria a delegação do Equador amanhã "para aceitar a detenção da polícia britânica, por não haver perspectivas significativas de uma nova apelação".

"No entanto, se ganho e se for concluído que os Estados envolvidos atuaram de maneira ilegal, espero que meu passaporte seja devolvido imediatamente e terminem as tentativas de me prender", concluiu.

Em Genebra, o grupo de trabalho sobre detenções arbitrárias da ONU informou que anunciará amanhã sua decisão.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos