Procuradoria expede ordem para que atriz deponha sobre relação com "El Chapo"

Cidade do México, 4 fev (EFE).- A Procuradoria Geral da República do México (PGR) expediu uma ordem de localização e apresentação contra a atriz Kate del Castillo para que ela deponha como testemunha na investigação sobre sua relação com o narcotraficante Joaquín "El Chapo" Guzmán, com o qual se encontrou quando ele estava foragido aparentemente para ajudá-lo nas gravações de um filme sobre sua vida.

Uma fonte oficial informou nesta quinta-feira à Agência Efe que a ordem "só vale para o território mexicano". Ontem, a artista apresentou uma petição em um tribunal da Cidade do México com o objetivo de evitar qualquer tentativa das autoridades do país de prendê-la neste caso.

A fonte acrescentou que "houve uma citação" prévia, que segundo a imprensa mexicana aconteceu no final de janeiro na cidade de Los Angeles (Estados Unidos), onde mora, mas ela "não se apresentou".

Além disso, negou que, por enquanto, a PGR tenha solicitado a Interpol uma ordem de captura internacional.

Del Castillo iniciou contatos com "El Chapo", que fugiu duas vezes de prisões de segurança máxima mexicanas e foi detido pela última vez no último dia 8 de janeiro, depois que o criminoso a procurou pelo interesse que lhe gerou uma carta dirigida a ele e divulgada pela atriz por meio do Twitter, na qual lhe pedia para usar seu poder para "fazer o bem" e ser "um herói".

Nessa época, Guzmán estava no topo da lista de criminosos mais procurados pelos EUA e já tinha fugido uma vez de um presídio de segurança máxima do México, em Puente Grande (Jalisco) em 2001.

Segundo a procuradoria, por mensagens de texto ou através de seus advogados, o traficante e a atriz mantiveram contatos secretos durante meses.

Em 2014, o narcotraficante foi recapturado e voltou a escapar em 11 de julho do ano seguinte, neste caso do presídio de Altiplano, no Estado do México.

Em outubro do ano passado, Del Castillo promoveu e participou de um encontro na selva mexicana entre Guzmán e o ator americano Sean Penn, que divulgou uma entrevista na revista "Rolling Stone" um dia depois de o líder do Cartel de Sinaloa ser preso novamente e mais uma vez levado para Altiplano.

A PGR investiga Del Castillo por lavagem de dinheiro para determinar se a atriz recebeu recursos de "El Chapo" para sua marca de tequila ou para a produção de um filme sobre a vida do narcotraficante.

Nesta terça-feira Del Castillo apresentou um amparo jurídico, que foi admitido para trâmite, pela suposta violação dos artigos constitucionais 14 e 16.

O artigo 14 estabelece que "ninguém poderá ser privado da vida, da liberdade ou de suas propriedades, posses ou direitos, apenas mediante julgamento perante os tribunais previamente estabelecidos".

Já o artigo 16 afirma que "ninguém pode ser incomodado em sua pessoa, família, domicílio, papéis ou posses, apenas em virtude de mandamento escrito da autoridade competente, que funde e motive a causa legal do procedimento".

A atriz tem cinco dias para explicar por quais atos se ampara contra a procuradoria, já que os artigos mencionados são muito amplos, disse à Agência Efe uma fonte do Conselho judiciário Federal.

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