Relatório diz que EUA inocentaram 149 presos em 2015, um recorde histórico

Em Austin (EUA)

  • Ben Margot/AP

    Cinco deles estavam no corredor da morte, 19 haviam sido condenados à prisão perpétua e muitos outros a décadas de prisão

    Cinco deles estavam no corredor da morte, 19 haviam sido condenados à prisão perpétua e muitos outros a décadas de prisão

Os Estados Unidos inocentaram durante 2015 o maior número de presos de sua história: 149 detentos - quase 40% deles sentenciados por assassinato - saíram da prisão após serem condenados por crimes que nunca cometeram, é o que diz um relatório divulgado nesta quarta-feira (3).

O documento, elaborado pelo Registro Nacional de Exonerações, um órgão da Universidade de Michigan, revelou que esses presos passaram, em média, mais de 14 anos na prisão cada um.

Cinco deles estavam no corredor da morte, 19 haviam sido condenados à prisão perpétua e muitos outros a décadas de prisão.

O número de 149 estabeleceu um recorde em relação ao máximo anterior, que era de 139 (2014), e constatou que as condenações de inocentes praticamente dobraram desde 2011. Começando a contagem em 1989, os pesquisadores encontraram 1.733 casos.

"Não temos consciência da magnitude do problema, não há um plano para enfrentá-lo e, claro, não há um compromisso", afirmou nas conclusões o autor do relatório, o professor Samuel Gross.

Dos 149 réus libertados, 58 tinham sido condenados por assassinato e 51 por crimes relacionados com drogas.

O Estado que mais emitiu penas contra inocentes foi o Texas, com 54, mais de um terço do total de casos no país. Em seguida estão: Nova York (17), Illinois (13), Alasca (6) e Califórnia (5).

No que diz respeito às condenações por assassinato, quem liderou a lista foi Illinois (11), seguido por Nova York (9) e Alasca (4).

Gross afirmou que o grande número de casos em Nova York e Texas está relacionado com o esforço dos procuradores do Brooklyn e do condado de Harris - cuja capital é Houston - em esclarecer alguns de seus casos.

Enquanto no Brooklyn muitos estão relacionados com assassinatos, no condado de Harris, 42 pessoas que tinham sido declaradas culpadas por posse de drogas foram inocentadas depois que novas evidências comprovaram que as substâncias em questão não eram ilegais.

Os 42 casos de 2015 no condado de Harris se somam a outros 31 em 2014 e a cerca de 200 ainda pendentes de revisão na maior cidade do Texas.

O interesse da sociedade americana pela condenação de inocentes aumentou nas últimas semanas por causa da estreia do popular documentário da plataforma Netflix, "Making a Murderer", que lança dúvidas sobre um caso de assassinato em Wisconsin.

"Cada vez mais, os americanos se dão conta de que pessoas inocentes são condenadas de forma habitual por crimes que não cometeram", acrescentou Gross.

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