Cidade japonesa de Sapporo promove festival de esculturas de gelo

Teresa Cambril.

Sapporo, 5 fev (EFE).- Temperaturas abaixo de zero e espetáculo se unem durante uma semana na cidade japonesa de Sapporo, que celebra a partir desta sexta-feira seu festival, que inclui centenas de esculturas de gelo que apenas depois de alguns dias serão demolidas.

A catedral de São Paulo de Macau, o trem bala japonês ou um teatro shakesperiano são algumas das imponentes estátuas de gelo expostas nas ruas de Sapporo, a capital da província de Hokkaido, no norte do japão, onde as nevascas alcançam seis metros de altura.

Milhares de toneladas de neve, faturamento de mais de 40 bilhões de ienes (cerca de R$ 1,324 bilhão) para a cidade e dois milhões de turistas por edição fizeram do festival o grande acontecimento do longo inverno de Hokkaido.

A origem do Festival da Neve remonta à década de 50, quando um grupo de estudantes do ensino médio, entediados com o rigoroso inverno do norte do Japão, construíram seis estátuas de gelo em uma cidade paralisada pela neve.

Mais de 60 anos depois desse humilde início, o Festival de Sapporo reuniu na sua última edição mais de dois milhões de visitantes.

A maior parte de turistas que irão ver estas efêmeras esculturas, colocadas ao longo de um bulevar central da cidade, eram da própria ilha de Hokkaido, a segunda maior do Japão, embora mais de 100 mil venham de países vizinhos como Taiwan e China.

"Nas últimas edições vimos um aumento de visitantes estrangeiros. Por isso, para o futuro queremos ampliar a sinalização e a informação em inglês", explicou o coordenador do festival, Kiyoshi Tokairin, à Agência Efe.

De fato, o futuro do Festival da Neve passa por atrair mais estrangeiros, pois este tipo de turista gasta "até dez vezes mais" por dia do que um local durante sua estadia em Hokkaido, detalhou Tokairin.

A reprodução em gelo da fachada da catedral de São Paulo de Macau se transformou na principal atração desta 67ª edição. Construída por membros da Força Terrestre de Autodefesa do Japão, cerca de três mil pessoas estiveram envolvidas em sua criação.

Após 30 dias de trabalho, 2.400 toneladas de neve e a participação de 130 operários, a réplica das ruínas desta catedral chinesa - com suas filigranas barrocas - reluz hoje impoluta e branca em Sapporo.

A cidade exibe também uma estátua que reproduz um Shinkansen (o trem bala japonês) para comemorar que uma destas ferrovias de alta velocidade ligará a ilha de Hokkaido com a capital do Japão em março de 2016.

Mais de duas mil pessoas, entre trabalhadores e voluntários, participaram no último mês da construção das gigantescas figuras de gelo que poderão ser vistas em Sapporo até o próximo dia 11.

"Vivi alguns anos em Hokkaido e aqui vi neve pela primeira vez. Vim de Tóquio para colaborar no festival da cidade que me acolheu", contou Miki Kawaguchi, uma voluntária sul-coreana.

Além de sul-coreanos, os organizadores detalharam que cada vez mais se apresentam voluntários de países mais distantes, como Canadá e Austrália, a maioria jovens estudantes.

Também há idosos, como Satoshi Takakuwa, que aos 70 anos participa de seu 15º festival como voluntário. "Gosto de começar algo do nada", refletiu, sobre o sentido de erigir uma construção que apenas se sustentará por alguns dias.

Apesar das calçadas, dos telhados e das árvores estarem cobertos de neve, uma das particularidades desta edição do Festival de Sapporo é que este inverno, em que a temperatura média ronda os seis graus negativos, as nevascas foram pouco copiosas.

"Utilizamos 1.200 toneladas para construir uma das estátuas principais, e parte da neve tivemos que trazer de uma cidade a 55 quilômetros de Sapporo", detalhou o coordenador do festival.

A partir do dia 11 começarão as tarefas de demolição das gigantescas figuras de gelo. "A primeira vez que vi como as destruíam fiquei decepcionado. Mas agora prefiro que as derrubem para ver como derretem", concluiu um morador de Sapporo.

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