Com alta da criminalidade, "Anjos da Guarda" voltam a patrulhar metrô de NY

Ruth E. Hernández Beltrán.

Nova York, 5 fev (EFE).- O aumento de agressões com canivete a passageiros nos trens de Nova York provocou o retorno da patrulha popular dos "Anjos da Guarda" no centenário metrô que percorre os cinco distritos da cidade, onde nasceu a organização durante a violenta década de 70.

Os usuários do metrô, que transporta diariamente mais de cinco milhões de pessoas, dividem desde a última segunda-feira a viagem, para surpresa de alguns e alegria de outros, com os "Anjos da Guarda", um grupo de voluntários desarmados de autodefesa que, com sua distintiva jaqueta e boina vermelha percorrem os vagões para prevenir novos ataques.

"Nunca imaginaria que 37 anos depois do nascimento dos 'Anjos da Guarda' estaria fazendo o que fazia em 1979", disse à agência Efe Arnaldo Salinas, cofundador - junto com Curtis Sliwa.

Naquela época, quando o grupo nasceu no Bronx, foi batizado de " Magnificent 13", a maioria dos membros eram latinos, principalmente de República Dominicana, Peru, México, Argentina e Uruguai, e contava com cinco mil integrantes, que incluíam algumas mulheres.

Há 22 anos, desde 1994 - quando o ex-promotor Rudolph Giuliani chegou à prefeitura de Nova York - que o grupo, que trabalha em coordenação com a polícia, não patrulhava o metrô, apesar de sua presença ter sido constante em comunidades que os chamavem diante de novos problemas.

Segundo Salinas, "as coisas tinham melhorado, o crime tinha diminuído, mas agora está piorando rapidamente, e, se não fizermos algo, vamos perder de novo nossa cidade e talvez seja pior do que em 1979", quando a 'Big Apple' atravessava uma grave crise econômica e tinha altas taxas de criminalidade, drogas, gangues, estações do metrô escuras e pichadas.

De acordo com os dirigentes do grupo, "as quadrilhas estão apoderando de Nova York e a criminalidade "está fora de controle".

As autoridades garantiram que as estatísticas mostraram uma queda em janeiro, mas ao mesmo tempo admitiram que houve aumento de 20% das agressões com canivete e esfaqueamentos, o que alarmou os usuários do metrô e ocupou as manchetes dos jornais nova-iorquinos nos últimos dias.

Para o chefe de polícia, os incidentes não estão relacionados. Ele considerou que estão sendo cometidos por pessoas com problemas mentais e que esse números irão cair.

"Este é um problema nosso (dos cidadãos), não da polícia, nem do prefeito", afirmou Salinas, que explicou que quando é necessário, o grupo realiza a detenção civil até a polícia chegar.

Por enquanto, entre seis e 12 "anjos" treinados para este trabalho patrulham em dois turnos o metrô sete dias por semana, segundo Sliwa, que acrescentou que já intervieram em várias brigas e com passageiros que agrediam outros em uma das rotas.

"O crime começou a se descontrolar no metrô durante os últimos anos, mas nem a polícia nem o prefeito deram a devida atenção ao problema, e por isso voltamos em maior número e com mais presença", acrescentou Sliwa.

Neste trabalho voluntário, os "Anjos da Guarda" já perderam seis de seus membros desde sua fundação, mortos a tiros, o primeiro por um policial em Nova Jersey que o considerou um agitador, e os demais por criminosos.

"Não foi fácil, principalmente quando tive que notificar seus familiares", relatou Salinas, que, no entanto, assegurou que segue adiante porque se trata "de um trabalho de amor" para com a cidade e seus moradores.

O 37º aniversário da organização será comemorado no próximo dia 13, data em que os atuais "Anjos da Guarda", assim como antigos membros históricos, tomarão o trem 4 na Avenida Fordham Bronx, como quando a organização foi fundada.

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