Rússia resiste a cessar bombardeios apesar de estagnação do processo de paz

Ignacio Ortega.

Moscou, 7 fev (EFE).- A Rússia resiste a suspender os bombardeios na Síria, apesar das pressões de Estados Unidos, Turquia e rebeldes, ao negar neste domingo que sua intervenção seja a causa da estagnação do processo de paz.

"Não foi a operação russa a origem da crise na Síria, mas as atividades irracionais dos países da Otan que afundaram a região do Oriente Médio no caos", disse hoje Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério de Defesa à imprensa local.

Desde que o mediador da ONU, Staffan de Mistura, anunciou na quinta-feira o adiamento das negociações sírias até 25 de fevereiro, todos os olhares se dirigiram à Rússia, o principal aliado do regime de Bashar al Assad.

Após semanas de gradual aproximação entre EUA e Rússia, o secretário de Estado americano, John Kerry, acusou a aviação russa de bombardear de maneira indiscriminada as zonas rebeldes e pediu ao Kremlin que declarasse um imediato cessar-fogo.

Kerry acredita que os sucessos militares colhidos pelo exército sírio, com cobertura aérea russa, nos últimos meses são o melhor antídoto contra as negociações de paz, já que as forças de Assad recuperaram a iniciativa.

Já o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, foi além, ao afirmar abertamente que a aviação russa está "minando os esforços de encontrar uma solução política ao conflito".

"Pois isso é uma bobagem", replicou hoje Konashenkov, que lembrou que, "graças às ações da Força Aérea russa, em poucos meses os sírios passaram a acreditar que, apesar de tudo, é possível combater e eliminar o terrorismo internacional em seu país".

"E, como consequência, começaram a pensar no futuro da Síria. Se as ações da aviação russa na Síria causam tensão a alguém, é aos terroristas", insistiu.

Ele lembrou que "até o surgimento da aviação russa na Síria, os países da Otan levavam quase três anos encenando a aniquilação do terrorismo internacional no formato de 'luta de crianças de chupeta'".

"Certamente, durante todo esse tempo ninguém no Ocidente e menos ainda em Bruxelas falava de algum tipo de negociações na Síria. Só se falava dos prazos da definitiva desintegração do país, segundo o roteiro líbio", afirmou.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou até não poder mais que a intervenção russa prosseguirá enquanto continuar a ofensiva do exército sírio, que conseguiu recuperar importantes posições desde novembro.

Além disso, o Kremlin alegou que com o autodenominado Estado Islâmico não podem declarar trégua, já que os jihadistas não a respeitariam e isso significaria jogar por terra todo o trabalho realizado há quase seis meses.

Caso Moscou se atrevesse a um cessar-fogo, advertiu que este nunca beneficiaria os grupos terroristas, como Ahrar al- Sham (Movimento Islâmico dos Livres do Sham) e Jaish Al-Islam (Exército do Islã), cujos representantes foram, embora a título particular, a Genebra.

Essa é, na realidade, o pomo da discórdia, já que o que Rússia e Síriaconsideram organizações terroristas, Arábia Saudita e Turquia, com o apoio dos EUA, qualificam somente de grupos rebeldes.

Diante da enxurrada de críticas feitas na sessão de sexta-feira, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, respondeu que Moscou não pode, em nenhum caso, interromper sua intervenção no país árabe unilateralmente.

O diplomata russo detalhou que se os rebeldes se comprometerem a cessar as hostilidades e a coalizão liderada pelos Estados Unidos suspender seus bombardeios, então a Rússia poderia cogitar um cessar-fogo.

Ao suspender as negociações de Genebra diante da falta de progressos, Mistura aludiu à contínua falta de acesso humanitário e à intensificação dos combates e bombardeios aéreos.

A Rússia argumenta que seus bombardeios permitiram, de fato, a abertura de corredores humanitários e a aviação russa já lançou várias vezes cargas com produtos de primeira necessidade.

O Kremlin sugeriu ainda que a decisão dos grupos opositores apoiados pela Arábia Saudita de abandonar Genebra foi ditada pelos avanços do exército sírio em direção à segunda cidade do país, Aleppo, cuja queda nas mãos do governo seria um duro revés para os rebeldes.

A Rússia lembrou que foi Assad que pediu ao Kremlin que interviesse na Síria para acabar com a ameaça jihadista, enquanto o resto dos países e grupos que intervêm militarmente na região não têm nem autorização nem legitimidade internacional.

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