Centenas de cubanos cruzaram ponte entre EUA e México nos últimos dias

Miami, 8 fev (EFE).- Cerca de 600 cubanos entraram nos EUA por Laredo (Texas) desde quinta-feira passada, incluídos quase todos os do segundo grupo autorizado a deixar a Costa Rica, e o ritmo de chegadas deve seguir assim por mais três meses, informou à Agência Efe o fundador da ONG Cubanos em Liberdade, Alejandro Ruiz.

Em uma conversa por telefone desde Laredo, Ruiz, que presta socorro a seus compatriotas logo depois que atravessam a ponte sobre o rio Bravo que une essa cidade com Nuevo Laredo (México), indicou que muitos dos cubanos presos na América Central desde novembro chegam aos EUA por seus próprios meios ou com a ajuda de "coiotes".

"Estão muito desesperados", afirmou este cubano nascido em 1966 e chegado aos EUA em 1992.

Para Ruiz, o que ocorre desde quinta-feira na Ponte Internacional "Comercio Mundial" de Laredo, onde se congregou um grupo importante de familiares e amigos para esperar os cubanos, "não vai parar". "Vai seguir assim pelo menos por três meses mais", acrescentou.

Desde meados de novembro, milhares de cubanos que saíram de seu país com a intenção de viajar aos EUA e serem acolhidos pela Lei de Ajuste Cubano ficaram presos na Costa Rica e alguns outros no Panamá devido ao fechamento da fronteira nicaraguense.

Graças a um acordo assinado entre Costa Rica, El Salvador, Guatemala e México, desde o mês passado está sendo permitida a saída escalonada de grupos de cerca de 180 pessoas.

O primeiro grupo deixou a Costa Rica em meados de janeiro e o segundo grupo, de 184 pessoas, formado principalmente por mulheres e crianças, na semana passada.

Este grupo de cubanos viajou de avião para El Salvador e desde esse país cruzaram para Guatemala em um ônibus que os levou à fronteira com o México, onde foi entregue um documento provisório que lhes outorga um prazo de 20 dias para chegar aos EUA por seus próprios meios.

Segundo Ruiz, no fim de semana passado, na ponte internacional parecia que "estavam dando dinheiro" pela quantidade de gente que esperava os cubanos, mas a maioria dessas pessoas já deixou a cidade de Laredo.

Uma das pessoas recém-chegadas aos EUA é Caridad Domínguez, que viajou em companhia de seu marido e sua filha adolescente desde a Costa Rica, onde a família esteve presa por três meses.

Os três já estão em Miami, onde, segundo disse Domínguez à Efe, ainda não sabe se vão ficar, pois é muito cedo para decidir, mas estão "bem" e "contentes".

Cubanos em Liberdade, uma organização criada por Ruiz, segue atendendo os que chegam e os ajuda a se basear nos EUA se não têm família ou amigos.

Atualmente há menos de uma dezena no albergue da ONG, que administra os cupons para alimentos e a ajuda econômica à qual têm direito por 90 dias em virtude da Lei de Ajuste Cubano.

Para Ruiz, proprietário de uma oficina mecânica e outro negócio em Laredo, a normalização de relações entre Washington e Havana não serviu para melhorar as condições de vida dos cubanos, mas para que os irmãos Castro se afirmem no poder, aos quais acusa de propiciar "êxodos" como o atual para "limpar um pouco a ilha".

"Não podem sustentar o povo", afirmou Ruiz, que acrescentou que a viagem para os Estados Unidos através do México está infestada de perigos e os imigrantes contam histórias incríveis.

Recentemente, segundo disse, duas mulheres cubanas, que não faziam parte dos grupos presos na Costa Rica, foram sequestradas na cidade mexicana de Reinosa quando iam atravessar para os EUA e suas famílias tiveram que pagar US$ 2 mil de resgate por cada uma.

No ano fiscal que terminou em 30 de setembro, mais de 43 mil cubanos chegaram aos EUA, o que representa um aumento de mais de 77% com relação ao período anterior, segundo dados do Escritório de Alfândegas e Proteção de Fronteiras (CBP).

A maioria (30.966) entrou através da fronteira sul com o México, segundo os números dos escritórios das autoridades fronteiriças de El Paso e Laredo (Texas), Tucson (Arizona) e San Diego (Califórnia). EFE

ar/ff

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