Kremlin se alegra com reunião entre patriarca russo e papa Francisco

Moscou, 8 fev (EFE).- O Kremlin cumprimentou nesta segunda-feira o anúncio de que o patriarca russo, Kirill, e o papa Francisco se reunirão no próximo dia 12 de fevereiro em Havana, o primeiro encontro entre os chefes da Igreja Católica e da Ortodoxa em quase mil anos de cisma (1054 dC).

"Certamente, como todos, esperamos que a reunião aconteça com sucesso. Avaliamos altamente a predisposição de ambos líderes religiosos a celebrar esse encontro", disse Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

Peskov considerou que a decisão de se reunirem em território neutro é "uma concessão mútua" e pode ser interpretada como um passo rumo ao encontro entre a Rússia e o Ocidente.

O papa Francisco recebeu duas vezes (2013 e 2015) o presidente russo, Vladimir Putin, um fiel confesso que foi batizado às escondidas em tempos soviéticos e que desde que chegou ao poder em 2000 promoveu a influência da Igreja na sociedade.

A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) anunciou que o encontro acontecerá no aeroporto de Havana, e depois haverá uma declaração conjunta.

O tema central do encontro será a dramática situação dos cristãos no Oriente Médio, no norte e no centro da África, onde são perseguidos pelos grupos jihadistas.

No entanto, o chefe de relações exteriores da IOR, Hilarion, antecipou que o patriarca russo e o pontífice romano falarão também de "política internacional".

A comunidade católica russa, de 600 mil fiéis, deu as boas-vindas à reunião, embora a Igreja Russa tenha descartado, por enquanto, uma possível visita do papa à Rússia.

Além do proselitismo praticado por missionários católicos no território histórico da Igreja Ortodoxa, Hilarion citou à Igreja Greco-Católica ucraniana (Uniatas ou católicos de rito oriental) como o "maior obstáculo" entre Roma e Moscou.

As relações entre ambas as igrejas alcançaram seu ponto mais baixo no pontificado de João Paulo II, mal visto em Moscou por seu papel na queda do comunismo, mas melhoraram notavelmente com Bento XVI e agora com o papa Francisco.

Além de Cuba, onde se reunirá com Fidel e Raúl Castro, Kirill viajará e oficiará serviços eclesiásticos no Brasil e no Paraguai entre 11 e 22 de fevereiro.

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