Vídeo que compara candidato peruano a Martin Luther King gera polêmica

Lima, 8 fev (EFE).- Um vídeo publicitário que supostamente compara o empresário César Acuña, candidato à presidência do Peru, com o líder afro-americano Martin Luther King - ressaltando qualidades individuais em comum, assim como o fato de terem sido acusados de plagiarem obras - gerou grande polêmica no país nesta segunda-feira.

O principal assessor de campanha de Acuña, o argentino Luis Favre, que viveu muitos anos no Brasil e é ex-marido da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), postou no YouTube uma peça de campanha que fala de "um homem que veio de baixo, filho de uma família pobre da zona rural e crente em Deus", tendo como fundo a imagem de um rosto que vai se revelando conforme avança a locução.

No vídeo se afirma que o homem em questão, "com muito esforço. conseguiu estudar e chegar à universidade, apresentou sua tese e obteve o título de doutor", enquanto se descobre que a imagem se refere ao prêmio Nobel da Paz Martin Luther King.

A peça publicitária termina com a frase "plagiar é grave, mas a vida de um ser humano não se reduz a isso", o que foi considerado uma semelhança entre as acusações contra Acuña e as que foram feitas contra Luther King no passado em relação a sua tese de doutorado.

Acuña foi acusado nos últimos dias de suposta apropriação de um livro escrito por seu professor Otoniel Alvarado em 1999 e de ter plagiado outros autores em sua dissertação de mestrado na Universidade de Lima e tese de doutorado na Universidade Complutense de Madri.

Esses casos foram remetidos pelo Tribunal Nacional de Eleições a seu Tribunal de Honra, à Procuradoria e ao Instituto Nacional de Defesa da Concorrência e da Proteção da Propriedade Intelectual (Indecopi) para que as denúncias sejam investigadas.

Um porta-voz do partido do candidato, o Aliança para o Progresso, anunciou que a legenda vai apresentar uma denúncia por difamação contra Otoniel Alvarado, que negou ter feito o livro em coautoria com o candidato.

Alvarado declarou ontem que recebeu ameaças contra ele e sua família por ter dito que nunca cedeu seus direitos sobre o livro a Acuña e que desconhecia as publicações posteriores que o ex-aluno fez da obra como único autor.

Para a candidata presidencial Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori e favorita nas pesquisas de intenção de voto, o vídeo é "um comercial de muito mal gosto, primeiro por comparar Martin Luther King com o senhor Acuña e, em segundo lugar, porque, de qualquer forma, confessa que ele teria plagiado".

Acuña respondeu à controvérsia durante uma visita de campanha no departamento de Piura, no norte do Peru. Ele alegou que não tinha conhecimento do vídeo idealizado por Favre e que o assessor é que deveria responder sobre esse material.

"Eu não faço vídeos, eu não me encarrego de fazer esse tipo de trabalho, terá que ser perguntado (a Favre)", afirmou Acuña a jornalistas.

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