Ministros dos países-fundadores da União Europeia se reúnem em Roma

Roma, 9 fev (EFE).- Os ministros das Relações Exteriores dos seis países fundadores da União Europeia (UE) analisaram nesta terça-feira, em Roma, a crise migratória e os diferentes ritmos de integração no continente, em reunião informal convocada pelo governo italiano.

Paolo Gentiloni, titular da pasta no país anfitrião do encontro, disse que os chefes da diplomacia de Alemanha, França, Bélgica, Holanda e Luxemburgo foram à Itália para marcar posição sobre temas importantes para a Europa.

"A um ano do 60º aniversário da assinatura do Tratado de Roma, os seis países fundadores quiseram lançar uma mensagem. Estamos convencidos, não só dos excelentes resultados que a União Europeia teve nestes 60 anos, mas que ela é fundamental para o futuro de todos os países", disse Gentiloni.

A reunião acontece pouco depois de o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, criticar os encontros bilaterais que França e Alemanha têm mantido, para discutir alguns dos problemas do bloco.

Questionado dos motivos que levaram o governo italiano a convocar apenas pequena parte do 28 países-membros, Gentiloni garantiu que se tratava apenas de um ato informal.

"Itália é um dos principais países europeus e quer contribuir de maneira decisiva na tomada de decisões, para resolver os problemas. Aqui, não se tratava de tomar decisões, mas de retomar contatos, em um momento de extraordinária dificuldade", explicou o ministro.

Gentiloni contou que o encontro durou duas horas, em "uma mesa muito pequena, que teve a reunião de um grupo de seis países, que compartilham uma responsabilidade antiga".

"Não quisemos fazer essa mensagem de forma exclusiva, não queremos deixar fora outros países, mas claro que outros países, se quiserem, poderão aderir a esta declaração que assinamos e que será distribuída", disse.

Um dos assuntos analisados na capital italiana foi a crise migratória no continenta, além da necessidade de reagir de forma conjunta a este problema.

"Os seis países compartilhamos da necessidade de implementar políticas conjuntas que resolvam a crise migratória. É importante tomar decisões comuns, não concebemos um futuro construído a partir de decisões individuais", avaliou Gentiloni.

O ministro lamentou, no entanto, que nem todas as nações estejam sempre de acordo, quando o assunto é dividir responsabilidades na crise e admitiu que isso provocou a aparição de "dúvidas" sobre o Tratado de Schengen.

O espaço se baseia em um acordo assinado em Luxemburgo, em 1985, garantindo a livre circulação de pessoas entre os países europeus signatários, que aboliram todos os controles internos e dispuseram uma única fronteira exterior.

Gentiloni defendeu a necessidade de "proteger a continuidade deste espaço e a livre circulação de pessoas", por se tratar de um dos pilares fundamentais da União Europeia.

Outro dos assuntos abordados foi a construção de uma Europa que avance em diferentes velocidades, uma teoria defendida pelo governo britânico, do primeiro-ministro, o conservador David Cameron, para pedir o sim, no futuro referendo sobre a permanência do Reino Unido no bloco.

O ministro italiano disse que seu país defende que isso já é uma realidade no bloco, já que "existem grandes diferenças entre os muito países-membros, que estejam ou não adotando o euro, e entre os que adotem ou não o Tratado de Schengen.

"Organizar os diversos níveis de integração é um dos problemas da União Europeia. Uma Europa de diversas velocidades é um tema complexo, que deve ser abordado por todos os países-membros", concluiu.

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