Papa pede que padres evitem broncas no confessionário e acolham pecadores

Cidade do Vaticano, 9 fev (EFE).- O papa Francisco recebeu nesta terça-feira os missionários que enviará por todo o mundo para confissões e recomendou que acolham a todos e evitem "a rigidez" no confessionário, porque isso representa "um prejuízo grave" à fé.

"Não podemos correr o risco de que um penitente não perceba a presença materna da Igreja que o acolhe e o ama. Se tiver essa percepção, por causa de nossa rigidez, seria um prejuízo grave em primeiro lugar à própria fé", afirmou para as centenas de missionários que recebeu em audiência.

Francisco acrescentou que, "além disso, limitaria muito seu sentimento de comunidade. Nós estamos chamados a ser expressão viva da Igreja, que como mãe acolhe a qualquer um que se apoia nela".

Esses sacerdotes missionários, 1.142 no total, contam com a autorização do pontífice para perdoar pecados tradicionalmente reservados à Sede Apostólica, como o aborto, como o papa já havia anunciado em setembro.

Francisco saiu hoje do discurso programado para lembrar alguns testemunhos de pessoas que se lamentaram das broncas recebidas por seus sacerdotes no momento da confissão.

"Diziam: 'Fui uma vez, mas o padre me repreendeu, e me fez perguntas um pouco obscuras, de curiosidade'. Por favor, esse não é um bom pastor, é um juiz", criticou.

"Gosto de dizer: 'Confessor, se não sentes que é padre, não vale a confissão, é melhor que faça outra coisa'. Porque se pode fazer muito mal a uma alma se não for amparada com coração de mãe, com o coração da mãe Igreja", manifestou.

O pontífice aconselhou que "qualquer que seja o pecado que seja confessado, cada missionário está chamado a lembrar sua própria existência de pecador e a se oferecer humildemente como 'canal' de misericórdia de Deus".

"Não estamos chamados a julgar com sentido de superioridade, como se nós fôssemos imunes ao pecado. Ser confessor representa cobrir o pecador com a manta da misericórdia para que não se envergonhe e recupere a alegria de sua dignidade filial", disse.

Francisco lembrou que "não é com a maçã do julgamento que se recupera à ovelha desgarrada do rebanho, mas com a santidade de vida, que é princípio de renovação e de reforma da Igreja".

O papa também lembrou o sentimento de "vergonha" do momento da confissão, o que não considera "fácil" de superar.

"Não é fácil se colocar diante de outro homem, ainda mais sabendo que representa Deus, e confessar o próprio pecado. Sente-se vergonha tanto pelo que fez como por ter de confessá-lo a outro homem. A vergonha é um sentimento íntimo que incide na vida pessoal e exige do confessor uma atitude de respeito e ânimo", acrescentou.

Amanhã, Quarta-Feira de Cinzas, o papa Francisco enviará estes "missionários da misericórdia" às dioceses de todo o mundo para que recebam a confissão dos fiéis, uma das novidades do Ano Santo Extraordinário, que vai até 20 de novembro.

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