Suécia enviará nova solicitação ao Equador para interrogar Assange em Londres

Copenhague, 9 fev (EFE).- A procuradoria da Suécia informou nesta terça-feira que enviará uma nova solicitação ao Equador para interrogar o fundador do Wikileaks, Julian Assange, em sua embaixada em Londres após a rejeição formal de Quito a um pedido no mês passado.

O Equador tinha criticado então que essa solicitação era a mesma que outra enviada em maio, mas com riscos, o que o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, qualificou de "falta de respeito".

"A procuradora responsável, Marianne Ny, trabalha atualmente em uma solicitação renovada para interrogar Julian Assange na embaixada do Equador em Londres", informou em comunicado a procuradoria sueca, que há duas semanas tinha anunciado que estudaria o envio de um novo pedido.

O jornalista australiano, refugiado na delegação diplomática equatoriana desde 2012 para evitar sua extradição do Reino Unido à Suécia, é objeto de uma investigação preliminar no país nórdico por um suposto caso de estupro de uma menor.

O Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da ONU concluiu na semana passada que a detenção de Assange era "arbitrária" e pediu ao Reino Unido e à Suécia que acabassem com ela, além de assegurar que sua decisão era vinculativa, algo que ambos países rejeitaram.

Em sua resposta à ONU, Estocolmo sustentou que a clausura de Assange é "voluntária" e que sua liberdade não está restrita "por nenhuma decisão ou medida adotada pelas autoridades suecas".

A procuradoria sueca tinha assinalado então que a decisão do painel da ONU não afetava à investigação, uma opinião reiterada hoje por Marianne Ny.

"No que se refere ao relatório da semana passada constato que não muda minhas apreciações anteriores na investigação preliminar", afirmou a procuradora, que em março aceitou interrogar Assange em Londres porque três dos quatro delitos de que era suspeito prescreviam em agosto.

A Corte Suprema da Suécia decidiu em maio manter a ordem de detenção à revelia contra Assange, apelando à gravidade dos fatos e ao risco de que quisesse se esquivar do processo e de uma hipotética condenação.

Suécia e Equador iniciaram em junho uma negociação depois que Estocolmo se recusou a assinar um acordo centrado só no caso Assange e que reconhecesse a condição de refugiado político que o Equador lhe concedeu em 2012, opção defendida por Quito.

O resultado, no entanto, foi um convênio genérico e ambos países assinaram em 11 de dezembro um acordo de assistência legal em matéria penal para facilitar o cumprimento de diligências judiciais e necessário para poder interrogar Assange.

Assange completou no último dia 19 de junho três anos refugiado na embaixada equatoriana em Londres ao término de um longo processo legal no Reino Unido, que decidiu a favor de sua entrega a Suécia.

A intenção do jornalista, de 44 anos, é evitar a extradição ao país escandinavo, porque teme ser enviado depois aos Estados Unidos, onde poderia enfrentar um julgamento militar pelos segredos sobre a segurança americano revelados pelo Wikileaks.

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