Superioridade militar do ocidente está erodindo, alerta IISS

Judith Mora.

Londres, 9 fev (EFE).- O maior acesso global a armas e tecnologias avançadas, junto com o aumento do investimento de países como Rússia e China, está alterando o equilíbrio militar do planeta em detrimento do Ocidente, alertou nesta terça-feira o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS).

Na apresentação de seu relatório anual, que analisou a capacidade militar e os gastos em defesa de mais de 170 países, o organismo indicou que "Rússia e China são cada vez mais ativas no desenvolvimento e no desdobramento de equipamento militar avançado".

A proliferação destes novos sistemas de terra, ar e tecnológicos "está levando a um equilíbrio mais complexo do poder militar", declarou o presidente do IISS, John Chipman, na entrevista coletiva realizada em Londres.

"A superioridade militar tecnológica do Ocidente, uma ascensão fundamental nas duas últimas décadas, está erodindo", advertiu.

Alinhado aos dados divulgados em dezembro pela publicação de análise militar IHS Jane, o Instituto confirmou que os Estados Unidos continuam a ser o país que mais gasta em defesa no mundo, com um orçamento em 2015 de US$ 597,5 bilhões (R$ 2,2 trilhões).

Os EUA são seguidos de longe pela China, com um investimento de US$ 145,8 bilhões; Arábia Saudita, com US$ 81,9 bilhões; Rússia, US$ 65,6 bilhões; Reino Unido, com US$ 56,2 bilhões; e Índia, com US$ 48 bilhões.

A lista dos 15 países que mais investem em defesa não supera, juntos, o orçamento americano, e incluem França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Brasil, Austrália, Itália, Iraque e Israel, segundo o relatório.

O IISS afirmou que, apesar da supremacia dos EUA, a Otan enfrenta sérios desafios para o futuro, pois o investimento neste organismo não aumentou no mesmo ritmo de regiões como a Ásia, que teve um aumento de 5,6% em 2015, e o Oriente Médio.

Ano passado, só quatro dos 26 membros europeus da Aliança Atlântica cumpriram a meta de investir 2% de seu PIB em defesa, como ficou estipulado na cúpula de 2014 no País de Gales. O gasto médio do resto foi de 1,1%.

"Estes países teriam que aumentar sua contribuição coletiva em 45% - cerca de US$ 100 bilhões - para chegar a essa meta", sustentou o Instituto.

Desde que as forças ocidentais participaram de sua primeira intervenção após a Guerra Fria, a Tempestade do Deserto, em 1991, seus soldados diminuíram. Por exemplo, dos 579 e 475 aviões de combate que tinham então França e Reino Unido, agora são 271 e 194, respectivamente.

A Otan enfrenta também outra dificuldade: sua relação com os países do Leste da Europa está cimentada na premissa de que poderá agir com rapidez, mas isto pode não ser tão fácil no futuro.

O IISS ressaltou que "a Rússia desdobrou soldados em seu Distrito Militar Ocidental que podem impedir o acesso e constranger a liberdade de ação na região do Báltico".

Além de Rússia e China, que exibiram a aquisição de novos equipamentos em recentes desfiles militares, como veículos de combate e mísseis balísticos, também potencializaram o investimento os Estados do Golfo, especialmente a Arábia Saudita.

Estes países acompanham de perto os movimentos do Irã, que, com um grande potencial militar em número de soldados, poderia atualizar seus obsoletos equipamentos militares assim que as sanções internacionais foram levantadas.

Quanto aos conflitos na região, Douglas Barrie, analista do IISS, disse na entrevista coletiva que "o progresso contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque é lento e gradual, enquanto no Iêmen o conflito é estático, mas não se vislumbra uma solução política".

Segundo o Instituto, os estrategistas militares dos governos enfrentam outro desafio no curto prazo, pois boa parte dos novos produtos, em particular os tecnológicos, não são desenvolvidos nos laboratórios oficiais, mas no setor privado, frequentemente com uso inicialmente civil.

"Isto representa um desafio para os governos, não só para estar em dia com as novas tecnologias, mas pela dificuldade de controlar sua proliferação, além de ser preciso estabelecer bem a confusa fronteira entre as tecnologias militares e civis, e as ofensivas e defensivas", apontou a análise.

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