Curdistão sírio abre em Moscou sua primeira representação no exterior

Moscou, 10 fev (EFE).- Os curdos-sírios abriram nesta quarta-feira na Rússia sua primeira representação no exterior para defender os interesses do Curdistão Ocidental, região que possui autogoverno desde 2013.

"Para os curdos hoje é um dia histórico, mas só é o primeiro passo. No futuro abriremos delegações nos Estados Unidos, França, Alemanha e Suécia", entre outros países, disse a emissária especial do governo de Curdistão Ocidental, Sina Muhamed, em entrevista coletiva.

Após inaugurar o escritório no sudeste de Moscou, Muhamed lembrou que os curdos-sírios, que dominam três províncias (Al Jazeera, Kubani e Afrin) na fronteira com a Turquia, estão há cinco anos combatendo sozinhos o terrorismo jihadista.

"Esperamos encontrar uma linguagem comum com a comunidade internacional para enfrentar a ameaça terrorista. Vemos positivamente tanto os bombardeios da aviação russa como os da coalizão ocidental liderada pelos Estados Unidos", disse.

Ele reconheceu que, ao contrário do princípio do conflito, mantêm boas relações tanto com o Kremlin como com a Casa Branca.

"Os Estados Unidos mudaram de atitude. Agora, estamos desenvolvendo uma ativa cooperação militar", destacou.

Os curdos-sírios não consideram "casual" que a Rússia seja a sede de sua primeira delegação no exterior, dadas as boas relações entre as partes desde os tempos da URSS, o que valeu as críticas da Turquia.

Por sua vez, Muhamed considerou "lamentável" que os curdos-sírios, que controlam 15% do território do país árabe, tenham sido excluídos das negociações de paz entre o regime de Bashar al Assad e a oposição síria em Genebra.

"Marginalizaram os únicos que combatem os terroristas do Estado Islâmico. Só estavam presentes os grupos opositores de Riad (Arábia Saudita). Não estava representado todo o povo sírio, por isso as negociações fracassaram", comentou.

Contudo, ele não perdeu a esperança de que os curdos-sírios sejam convidados à próxima rodada de negociações, marcada para 25 de fevereiro pelo mediador da ONU, Staffan de Mistura.

"Caso contrário, serão de novo um fracasso. Sem a inclusão dos curdos no processo de paz, não haverá solução política para o conflito sírio", advertiu.

A Rússia é o principal porta-bandeira da presença de uma delegação dos curdos-sírios em Genebra, enquanto Damasco não tem nada contra e os turcos se opõem taxativamente.

Ele reconheceu que a situação nos três territórios que compõem o Curdistão Ocidental é muito tensa devido ao embargo a que são submetidos pela Turquia, e denunciou os massacres de civis entre os curdos turcos pelas mãos de Ancara.

"Não queremos que a comunidade internacional veja exclusivamente o Curdistão Ocidental como um campo de batalha. Somos uma região com autogoverno que quer ter relações com todo o mundo", disse.

Muhamed, que foi lembrado na cerimônia dos milhares de curdos que perderam a vida combatendo na guerra, ressaltou que os curdos-sírios querem "um Síria democrática e pluralista".

No escritório de representação dos curdos-sírios no sudeste de Moscou era possível ver uma foto de Abdullah Öcalan, líder do proibido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), preso após ser condenado à prisão perpétua por terrorismo na Turquia.

O Partido da União Democrática (PYD), formação que está por trás da criação em novembro de 2013 de um governo interino no Curdistão Ocidental, é considerada pela Turquia uma "organização terrorista". EFE

io/cd

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