Erdogan critica EUA pelo apoio às milícias curdas da Síria

Ancara, 10 fev (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou nesta quarta-feira os EUA pelo apoio às milícias curdas na Síria e garantiu que a política de alianças regionais de Washington causou "um rio de sangue".

Erdogan criticou a política de Washington em reunião com representantes locais em Ancara, depois que um porta-voz do Departamento de Estado americano disse que não considera que o partido curdo-sírio PYD seja uma organização terrorista.

"América, há alguma diferença entre o PYD e o PKK (a guerrilha turco-curda considerada terrorista pelos EUA)? Avisemos que é uma organização terrorista", declarou Erdogan.

"América, já perguntamos isso muitas vezes. Estão conosco ou com as organizações terroristas PYD e YPG (o braço armado do PYD)?".

"Não quer que expliquemos quem são o PKK, o PYD ou YPG. Eles conhecem muito bem. Também conhecem o Daesh (o grupo terrorista Estado Islâmico) muito bem. A região é um rio de sangue por isso", criticou o presidente turco.

Os EUA deram apoio aéreo às milícias curdas na Síria e as considera as forças terrestres mais efetivas nesse país contra os jihadistas do EI.

A cooperação entre Washington e as milícias curdas da Síria produziu tensões diplomáticas com a Turquia, que considera que o PYD está vinculado com o PKK, classificado como terrorista pela Turquia, EUA e a União Europeia.

Ontem, o embaixador dos EUA na Turquia, John Bass, foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores turco para dar explicações pelas declarações do porta-voz do Departamento de Estado.

O governo turco teme que o apoio dos Estados Unidos permita aos curdos da Síria, que já controlam o nordeste do país, limítrofe com a Turquia, aumentar sua influência.

A Turquia considera que tanto o PKK como o PYD são organizações tão terroristas como os jihadistas do EI, contra quem os curdos lutam.

A Rússia, país com o qual Turquia tem uma grave crise diplomática pela queda de um avião russo em novembro na fronteira síria, também oferece apoio aéreo e assistência aos curdos na Síria.

O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, disse na segunda-feira que Washington não considera o PYD como terrorista e garantiu que os "combatentes curdos" são um importante parceiro na luta contra o EI.

"Nós não reconhecemos o PYD como uma organização terrorista. Reconhecemos que os turcos sim, e entendo", indicou Kirby, que acrescentou que nem sequer os melhores amigos "estão de acordo em tudo".

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