MSF adverte que novos fluxos de deslocados na Síria serão insustentáveis

Genebra, 10 fev (EFE).- A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) advertiu nesta quarta-feira que as entidades humanitárias que operam na Síria não têm capacidade para atuar frente aos novos fluxos de deslocados causados pela ofensiva armada do regime de Damasco sobre Aleppo, no norte do país.

As organizações humanitárias já prestam socorro alimentício, água e serviços mínimos de saneamento para a população e os deslocados pelo conflito.

"Os acampamentos (de deslocados) não têm capacidade para receber mais pessoas. Existe o risco que as pessoas, incluindo crianças pequenas e idosos, fiquem vivendo em descampados a temperaturas geladas por vários dias", disse a chefe da missão da MSF na Síria, Muskilda Zankada.

Nessas circunstâncias se temem efeitos grave sobre a saúde dos deslocados, principalmente casos de pneumonia.

A organização humanitária, com sede em Genebra, disse que está prestando socorro aos deslocados que chegam ao distrito de Azaz, perto da fronteira com a Turquia, mas lhe preocupa as pessoas que não estão nos acampamentos porque estas "não recebem quase nenhuma ajuda".

Os que estão chegando a Azaz fazem parte do êxodo causado pela ofensiva das forças governamentais, apoiadas por bombardeios aéreos russos e milícias iranianas, sobre Aleppo, que antes da guerra civil era o principal centro econômico e industrial da Síria.

Essa cidade, a mais importante depois de Damasco, esteve partida entre áreas controladas por grupos rebeldes e pelo governo desde a primeira etapa do conflito, em 2011.

A nova ofensiva causou pelo menos 30.000 deslocados, mas acredita-se que se continuar e os combates se tornarem mais intensos, várias dezenas de milhares de pessoas a mais poderiam fugir.

A estimativa é que em Aleppo continuavam vivendo antes deste episódio cerca de 300.000 pessoas.

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