Ocidente aumenta pressão sobre a Rússia para que detenha bombardeios na Síria

Nações Unidas, 10 fev (EFE).- França, Reino Unido e outros países pressionaram a Rússia nesta quarta-feira na ONU para que detenha seus bombardeios em torno da cidade síria de Aleppo, enquanto Espanha e Nova Zelândia propuseram uma pausa humanitária que permita a entrega de ajuda.

A pedido desses dois países, o Conselho de Segurança das Nações Unidas abordou a portas fechadas a situação dos milhares de civis que se viram obrigados a fugir de Aleppo e outras áreas do norte da Síria perante a ofensiva lançada pelo regime com apoio russo.

O encontro mostrou novamente as profundas divisões que existem no Conselho, às vésperas de que o Grupo Internacional de Apoio à Síria se reúna amanhã em Munique (sul da Alemanha) para tentar retomar as conversas de paz de Genebra.

"O regime e seus aliados não podem pretender que estejam estendendo uma mão à oposição enquanto com a outra estão tentando destruí-la", disse o embaixador francês, François Delattre, em sua chegada à reunião.

Delattre acrescentou que deter os "bombardeios indiscriminados" sobre Aleppo e outras áreas não é um "favor" que se pede a Damasco e a Moscou, mas sua "obrigação" sob as leis humanitárias internacionais e as resoluções do Conselho de Segurança.

O representante francês reforçou que "melhoras tangíveis na situação humanitária são uma condição para uma negociação política crível".

Por sua parte, o embaixador britânico, Matthew Rycroft, defendeu que a Rússia deve dar resposta às "preocupações" que muitos têm sobre suas atuações militares em apoio do governo sírio.

"Têm a obrigação de usar sua influência no regime de (Bashar) al Assad para um cessar-fogo, conseguir acesso humanitário e parar estes bombardeios aéreos", afirmou Rycroft aos jornalistas.

O Conselho de Segurança recebeu um relatório da situação em torno de Aleppo por meio do chefe humanitário da ONU, Stephen O'Brien, que nos últimos dias advertiu repetidamente do enorme perigo que vive a população civil, com milhares de pessoas que deixaram suas casas e que em muitos casos se acumulam junto à fronteira turca.

"Infelizmente os ataques russos foram uma causa direta desta crise ao redor de Aleppo", disse aos jornalistas o embaixador neozelandês, Gérard van Bohemen, cujo país é junto à Espanha um dos responsáveis pelo dossiê humanitário sobre a Síria no Conselho de Segurança.

Van Bohemen explicou que na reunião solicitou uma "pausa humanitária" na Síria, que permita a provisão de ajuda a várias zonas sitiadas, e disse que todos os países querem que se retomem as conversas de paz o mais rápido possível.

No entanto, reconheceu abertamente que há "uma grande divisão" no Conselho em tudo o que se refere à Síria pelas campanhas militares em curso.

A Rússia se mostrou aberta a discutir essa pausa humanitária, mas disse que para isso é necessário que antes se retome o diálogo entre o governo e a oposição, suspenso pelos rebeldes precisamente pela ofensiva governamental contra Aleppo.

O embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, disse aos jornalistas que Moscou levará suas próprias ideias neste sentido à reunião de Munique.

Churkin aproveitou, além disso, para atacar com dureza "outros Estados-membros" do Conselho de Segurança por "utilizar os assuntos humanitários para desempenhar o que consideramos um papel destrutivo no processo político".

"Já vimos isso antes. Cada vez que houve um esforço político sério houve um grande clamor sobre uma área ou assunto em particular", declarou o representante russo.

Churkin antecipou que, perante esse "uso" do dossiê humanitário que outros países fazem no caso da Síria, a Rússia vai solicitar que o Conselho trate semanalmente a situação humanitária no Iêmen, onde acusa Estados Unidos e Reino Unido de apoiar ativamente os bombardeios da coalizão árabe contra os rebeldes houthis.

A Rússia também deve convocar uma reunião para falar das vítimas civis dos bombardeios que a Otan realizou na Líbia em 2011 e de como evoluiu a situação humanitária no país desde então.

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