Ativistas armados decidem se entregar após 40 dias de ocupação nos EUA

Washington, 11 fev (EFE).- Um grupo de militantes armados que ocupam há 40 dias instalações do governo em um parque natural do Oregon, no oeste dos Estados Unidos, prometeram deixar o local nesta quinta-feira, depois de o FBI cercar a área e os forçar a negociar.

Após horas de tensas negociações transmitidas ao vivo e acompanhadas por milhares de pessoas na Internet, as quatro pessoas que ainda resistiam nas instalações disseram que sairão do refúgio desarmados às 8h (14h em Brasília).

A ocupação começou em 2 de janeiro, quando um grupo de militantes armados tomou um edifício da reserva natural de Malheur, no Oregon, como parte de um protesto em apoio a dois rancheiros condenados por realizar queimadas sem permissão em um terreno rural do governo.

Eles receberam a adesão de pessoas de todo o país, mas em 26 de janeiro o líder dos manifestantes, Ammon Bundy, foi detido por agentes federais e pediu a seus seguidores que deixassem o local.

Segundo o jornal local "The Oregonian", as quatro pessoas que continuam no refúgio são David Fry, de Ohio; Jeff Banta, de Elko, em Nevada, e o casal Sean e Sandy Anderson, de Riggins, no estado de Idaho.

Após semanas de tensão, que levaram inclusive à morte do porta-voz do grupo, Lavoy Finicum, em um confronto com agentes do FBI (a polícia federal americana), a agência decidiu hoje sitiar a área onde os quatro estavam acampados na reserva natural.

"O FBI tomou medidas para controlar os ocupantes que ficam, posicionou agentes em barricadas imediatamente em frente e atrás da área onde estão acampados. As negociações continuam. Não houve disparos", indicou a divisão do FBI em Portland, em comunicado.

Um ativista chamado Gavin Seim publicou no YouTube uma gravação de áudio ao vivo do cerco, que se podia ouvir uma mulher, que se identifica como Sandy Anderson, gritar: "Por favor, não nos deixem morrer em vão esta noite! Se atirarem e nos matarem, isto será uma revolução!".

Michele Fiore, uma legisladora estadual de Nevada, que há dois anos apoiou o pai de Bundy em uma disputa com o governo, se ofereceu para atuar como negociadora entre os militantes e o FBI, e sugeriu aos ocupantes que deixassem o refúgio juntos.

"Não estou pedindo que se rendam", disse Fiore aos ativistas por telefone enquanto se dirigia ao refúgio de carro, um trajeto que dura cerca de quatro horas.

Sandy Anderson disse a Fiore que não saíriam do acampamento sem suas armas, enquanto seu marido exigiu que fossem retiradas as acusações apresentadas pelo governo federal na semana passada contra os quatro, de "ameaça" a funcionários governamentais.

Depois de um tempo, Sean Anderson anunciou que eles deixariam o refúgio às 8 da manhã de hoje se pudessem se encontrar com Fiore e com o pastor Franklin Graham.

"Não estamos nos rendendo, estamos nos entregando. Vai contra tudo o que acreditamos, mas vamos fazê-lo", declarou Sean Anderson, que detalhou que deixarão as armas em seus veículos antes de se aproximarem das barricadas dos agentes federais.

O FBI não confirmou que tenha havido um acordo para que os militantes abandonem o acampamento como disse Anderson.

Cinco horas após o começo da transmissão ao vivo pela internet, que chegou a ter 60 mil pessoas conectadas, segundo o "Oregonian", os militantes, que várias vezes interromperam a negociação para rezar, cortaram a conexão para dormir durante algumas horas.

O agente especial do FBI no Oregon, Greg Bretzing, explicou em comunicado que decidiram cercar o refúgio porque "é necessário tomar medidas da forma que melhor garantam a segurança de quem se encontra no refúgio, dos agentes na área e das pessoas que vivem e trabalham na região".

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