Autoridades encontram facas e martelos em presídio mexicano onde morreram 49

Martí Quintana.

Monterrey (México), 12 fev (EFE).- A apreensão de dezenas de facas, martelos, entorpecentes e objetos eletrônicos na inspeção das autoridades no presídio mexicano de Topo Chico, onde um confronto entre grupos rivais terminou com 49 mortos, revela o enorme descontrole que reinava no recinto.

Foram encontradas "120 pontas artesanais, 60 martelos, 28 peças mecânicas e 86 facas", detalhou nesta sexta-feira o governador do estado de Nuevo León, Jaime Rodríguez Calderón, em entrevista coletiva.

Estes tipos de objetos foram utilizados neste sangrento motim durante o qual apenas um dos 49 mortos recebeu um disparo de um guarda, enquanto os outros, no meio de um incêndio, receberam golpes de armas pontiagudas, pedaços de paus e objetos metálicos.

A inspeção encontrou também meio quilo de maconha, 30 pastilhas psicotrópicas, 23 doses de cocaína em pedra e 30 em pó, 38 doses maconha, assim como duas televisões de 27 polegadas, 400 isqueiros, 16 pen-drives e 10 reprodutores de MP3.

Rodríguez Calderón anunciou ainda que já tinha sido realizada a transferência de 233 detentos a prisões federais para melhorar a situação neste centro penitenciário, onde na quinta-feira não se registrou nenhuma fuga.

Entre eles os dois supostos responsáveis da tragédia, Jorge Ivan Hernández Cantù, conhecido como "El Credo", e Juan Pedro Salvador Saldívar Farías, "o Z27", ambos membros do cartel de Los Zetas que disputavam o controle do presídio.

Por fim, o governador esclareceu que, dos 49 mortos, foram identificados 40 deles e espera-se que os nove restantes o sejam nas próximas horas.

Além disso, informou que dois dos cinco feridos gravemente evoluem favoravelmente, e os outros três seguem em situação delicada.

Rodríguez Calderón, primeiro governador independente da história do México, viu sua popularidade minguar perante este fato que revelou a falta de controle nos presídios do estado.

Neste contexto, 400 pessoas que puderam entrar hoje no recinto para ver seus familiares denunciaram que alguns dos detentos foram golpeados pelas forças federais e que muitos deles estão há 24 horas sem comer e que foram deixados no pátio sem seus pertences.

Além disso, em declarações à Agência Efe, revelaram a existência de pagamentos dos presos aos grupos que controlavam o presídio para garantir sua segurança e insinuaram que a direção da prisão poderia estar envolvida no esquema.

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