ONG pede que Indonésia retire veto a emoticons com referência a homossexualidade

Da Efe, em Bancoc

A ONG Humam Rights Watch (HRW) pediu nesta sexta-feira (12) ao presidente da Indonésia que defenda os direitos dos homossexuais, um dia depois do governo do país exigir a retirada de emoticons que fazem referência à orientação sexual dos aplicativos de mensagem.

A organização enviou uma carta ao presidente do país, Joko Widodo, na qual denuncia a proliferação de comentários depreciativos por parte de altos cargos do governo contra o coletivo de lésbicas, gays, transexuais e bissexuais (LGBT).

Também recrimina a tomada de medidas discriminatórias por parte de autoridades locais e de educação como a proibição de grupos de estudantes para a comunidade LGBT ou de um ato informativo sobre o HIV para este coletivo.

"O presidente Jokowi deveria condenar urgentemente estes comentários contra os homossexuais antes que este tipo de retórica abra a porta para mais abusos", disse na carta Graeme Reid, diretor de direitos LGBT da HRW.

O homossexualismo não é ilegal na Indonésia, onde 88% de seus 250 milhões de moradores professam o Islã, em sua maioria moderado, e que em geral é tolerante com esta condição sexual.

Na carta, a organização enumera vários incidentes ocorridos nos últimos meses como a detenção de duas mulheres que se abraçaram em público na região de Aceh, a única do país onde rege a Lei Islâmica, ou a suspensão de uma revista em Jacarta por ameaças de um grupo islamita.

A carta foi enviada depois que o porta-voz do Ministério de Informação, Ismail Cawidu, pediun que redes sociais e plataformas de mensagem retirassem emoticons que expressassem apoio ao homossexualismo, após uma campanha na internet contra o aplicativo Line por este motivo.

Cawidu disse que o Line já aceitou retirar todos os emoticons relacionados com o coletivo LGBT, e que o governo entrará em contato com o Whatsapp, propriedade do Facebook, para fazer o mesmo pedido, segundo o jornal "Kompas".

A HRW lembrou que em 2014 a ONU pediu a todas as instituições do estado indonésio que reconhecessem a existência dos LGBT como parte integral da sociedade do país.

"Proteger os LGBT da violência e da discriminação é um dos compromissos da Indonésia com os direitos humanos. O presidente Jokowi deveria declarar sem ambiguidades seu apoio aos direitos fundamentais de todos os indonésios e proteger os LGBT", disse Reid.

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