Rajoy e socialistas não aproximam posturas para avançar em novo governo

Madri, 12 fev (EFE).- O presidente de governo interino da Espanha, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP, centro-direita) e o líder dos socialistas, Pedro Sánchez, candidato a sucedê-lo, não conseguiram aproximar suas posturas nesta sexta-feira para avançar na criação de um possível Executivo, mas se comprometeram a manter os grandes pactos de Estado.

Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), recebeu a incumbência do rei Felipe VI de tentar tomar posse e é o encarregado de reunir o apoio parlamentar para formar um novo Executivo na Espanha, depois que Rajoy recusou a oferta do monarca por não ter o respaldo de nenhuma legenda, embora não tenha retirado sua candidatura.

O distanciamento entre ambos políticos é evidente e afetou inclusive o local da reunião, que finalmente acabou acontecendo na "neutra" antessala do refeitório da presidência do Congresso, à qual ambos chegaram com semblante sério e onde não apertaram as mãos.

As eleições de 20 de dezembro do ano passado sagraram o PP como vencedor com 123 deputados, seguido pelo PSOE com 90, e os dois partidos emergentes e novos no Congresso: Podemos (esquerda), com 69 cadeiras; e Ciudadanos (liberais), com 40.

O líder do PSOE, Pedro Sánchez, comunicou a Rajoy que sua vontade é "manter os pactos de Estado", no que se refere à luta contra o terrorismo e a união nacional, e perante uma possível reforma da Constituição, que não especificaram.

O líder do Partido Popular, por sua vez, reivindicou sua vitória como chapa mais votada e expressou ao chefe dos socialistas que "o mais razoável" e "o mais sensato" é um Executivo formado por PP, PSOE e Ciudadanos, algo que os socialistas rejeitam plenamente e atualmente se encontram em fase de negociações com as demais legendas da Câmara.

"Nem me pediu o apoio, nem me pediu que lhe facilite nada", afirmou Rajoy, que declarou hoje que não se arrependeu de rejeitar a primeira oferta do rei da Espanha para formar governo já que não contava com os votos para consegui-lo, embora no futuro, advertiu, possa tê-los.

Por sua parte, o candidato à presidência de governo, o socialista Pedro Sánchez, qualificou a reunião como "útil", já que considera importante que as duas principais formações políticas do país mostrem que existe "diálogo".

Além disso, minimizou a importância do tom sério e a falta de saudação, que atribuiu a um despiste do presidente interino quando ele lhe estendeu a mão.

Sánchez transmitiu a Rajoy a necessidade de que o novo Executivo espanhol reflita o "mandato de mudança" que saiu das urnas na última eleição, e advertiu que a regeneração democrática passa "pela renovação do PP e sua liderança".

O partido atualmente no poder se viu recheado nos últimos meses por vários casos de corrupção, que dificultaram para o PP a reunião do apoio parlamentar para formar governo.

A sessão na qual Pedro Sánchez tentará tomar posse deve acontecer no início de março, segundo assinalou hoje o candidato socialista, que assegurou que seu partido está "tentando formar governo o mais rápido possível" e acredita contar com a capacidade para torná-lo possível.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos