Dirigente palestina acusa UE de "ceder perante pressões israelenses"

Jerusalém, 14 fev (EFE).- A dirigente palestina Hanan Ashrawi criticou duramente a conversa deste fim de semana entre a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e acusou a União Europeia de "ceder perante as pressões israelenses".

"Apoiar Israel não sé lhe permitirá persistir em suas políticas destrutivas e perigosas, mas também solapará a credibilidade da UE e colocará mais em perigo as possibilidades para a paz", garantiu a veterana membro da Organização para a Libertação da Palestina em comunicado divulgado ontem à noite.

Essa reação corresponde à conversa telefônica de sexta-feira entre Netanyahu e Mogherini sobre a decisão israelense de incluir de novo a UE nas iniciativas sobre a paz com os palestinos, após excluí-la em represália pela direção da etiquetagem de produtos de colônias (exige apontar a origem destes produtos em território ocupado como tal, e não como Israel).

A alta representante de Política Externa e Segurança Europeia insistiu que a direção não representa um boicote ao país, ao qual a UE se opõe, e que também não implica em um julgamento sobre as fronteiras futuras de Israel e Palestina, que deverão ser decididas pelas partes.

Ambos líderes concordaram em desenvolver suas relações em um clima de confiança e respeito mútuo pelo bem do processo de paz em uma conversa na qual Mogherini expressou sua solidariedade com os israelenses perante os ataques palestinos e reiterou o compromisso europeu com a segurança de Israel.

"Ao expressar solidariedade exclusiva com Israel (...) a UE está ignora a ocupação e a assimetria de poder que representa, e cai na armadilha das tergiversações israelenses nas quais israelenses são as vítimas, os palestinos os terroristas frequentes e a ocupação não existe", rejeitou Ashrawi na nota.

Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, considerou hoje um "passo na direção correta" a posição da chefe da diplomacia europeia.

"O fato de que a Alta Representante da UE para Relações Exteriores e Segurança Comum tenha atacado o BDS (plataforma que apoia o Boicote o Desinvestimento e as Sanções ao estado judeu) e as sanções econômicas a Israel, é certamente um passo na direção correta", manifestou.

"Israel, como representante dos valores democráticos, tem o direito de receber da Europa apoio e não só críticas, e acho que este passo é bem-vindo", ressaltou o líder.

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