Corte internacional que julga Khmer Vermelho antecipa julgamento de Im Chaem

Phnom Penh, 15 fev (EFE).- O tribunal internacional organizado pela ONU que julga no Camboja o Khmer Vermelho anunciou nesta segunda-feira que iniciarão o julgamento da cambojana Im Chaem, acusada há 11 meses de assassinato, extermínio e outros atos desumanos.

O juiz internacional Michael Bohlander e seu colega cambojano You Bunleng justificaram a medida devido ao "direito do acusado de determinar as acusações contra si" sem ter de esperar que a investigação do resto dos acusados neste caso seja concluída, segundo um comunicado da corte.

Os magistrados não deram uma data para o início do julgamento de Im Chaem.

O processo dela foi acelerado pelo risco de a acusada morrer devido a sua avançada idade, antes da sentença.

Na ficha do tribunal internacional sobre Im Chaem não consta a data de nascimento, mas ela tem uma sobrinha septuagenária.

A ação contra Im Chaem, que foi comandante de distrito do Khmer Vermelho, e outros comandantes intermediários da organização comandada por Pol Pot começaram há seis anos.

O Khmer Vermelho governou o Camboja entre 1975 e 1979, período em que 1,7 milhão de pessoas morreram por culpa dos expurgos políticos, dos trabalhos forçados, das deportações maciças ao campo, de doenças e pela crise de fome.

O julgamento do Khmer Vermelho emitiu várias sentenças desde que começou seu trabalho em 2007, a primeira contra Kang Kek Iew, conhecido como "Duch", o diretor da prisão política dos khmeres vermelhos.

Duch foi condenado a 35 anos de prisão em 2010, sentença que o tribunal de apelações elevou depois para prisão perpétua.

Nuon Chea, ideólogo e número dois do Khmer Vermelho, e Khieu Samphan, chefe de Estado durante o governo de Pol Pot, ambos octogenários, foram condenados a prisão perpétua em 2014, em outro julgamento dividido em partes em consideração à avançada idade dos acusados.

Ieng Sary, ministro de Relações Exteriores do Khmer Vermelho, morreu em 2013 sem chegar a receber sua sentença, e sua esposa, Ieng Thirith, ministra de Assuntos Sociais, foi afastada do julgamento em 2011 por estar em Alzheimer avançado. Ela morreu em 2015.

Pol Pot, um dos maiores genocidas da história, morreu em 16 de abril de 1998 de infarto, aos 73 anos, em um remoto lugar da floresta do Camboja perto da fronteira com a Tailândia sem responder por seus crimes à justiça.

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