Líder afegão oferece participação política aos talibãs que dialogarem

Cabul, 15 fev (EFE).- O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, ofereceu nesta segunda-feira participação política aos talibãs que se unirem ao processo de paz com o governo, que espera manter uma reunião direta com os insurgentes no final de mês.

"Se o objetivo (de sua luta) é a participação política, nossa Constituição não exclui ninguém", disse o dirigente durante a comemoração em Cabul do 27º aniversário da retirada das tropas soviéticas.

Gani destacou que a Carta Magna do país está fundamentada nos "valores islâmicos" e permite que todas as "partes" e "grupos" utilizem a via política para conseguir seus objetivos.

"A consecução de todos os objetivos religiosos e da sharia (lei islâmica) é alcançável através de formas pacíficas", sentenciou, ao agregar que uma luta pelo "poder" não pode seguir chamando-se jihad ou guerra santa.

O G4, formado no final do ano passado para elaborar um plano de paz e integrado pelos Estados Unidos, China, Paquistão e Afeganistão, acordou em sua última reunião há dez dias um roteiro para pôr fim ao conflito afegão.

O presidente garantiu que, com este plano sobre a mesa, os insurgentes têm agora sua "melhor oportunidade" para deixar as armas e garantiu que seus "braços estão abertos" para recebê-los.

Por isso, em um gesto pouco habitual, fez uma chamada não só aos talibãs, mas também à organização Hezb-e-Islami, liderada pelo senhor da guerra Gulbuddin Hekmatyar, e ao resto dos "oponentes" para que se unam ao processo de paz.

Representantes do governo afegão e dos insurgentes mantiveram em julho no Paquistão sua primeira reunião oficial, organizada com a mediação de Islamabad, mas o processo ficou suspenso após ser revelada no final daquele mês a morte do fundador do movimento talibã, o mulá Omar.

Apesar de desde então não participarem de nenhum encontro oficial com o Executivo, os talibãs assistiram no final de janeiro uma conferência no Catar para buscar soluções ao conflito, organizada pela prestigiada ONG Pugwash e que não contou com representação governamental.

O G4 anunciou após seu último encontro que esperava uma reunião direta entre Cabul e os insurgentes para finais de fevereiro.

A guerra no Afeganistão, que começou em 2001 com a invasão americana e a derrocada do regime talibã, atravessa um de seus períodos mais violentas, com 7.457 feridos e 3.545 mortos em 2015, o número mais alto desde que começaram a medir as vítimas do conflito há sete anos.

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