China diz que instalações em ilhas disputadas são puramente defensivas

Pequim, 17 fev (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, não confirmou nem desmentiu nesta quarta-feira que seu país tenha instalado mísseis terra-ar em uma ilha cuja soberania é disputada por vários países, mas garantiu que as instalações de Pequim no Mar da China Meridional são "limitadas" e destinadas à "defesa".

"As construções limitadas e necessárias de autodefesa que a China ergueu nessas águas estão em linha com o direito de proteção contemplado no direito internacional", afirmou Wang em entrevista coletiva conjunta com a ministra das Relações Exteriores da Austrália, Julie Bishop, em Pequim.

Por isso, "não deveria haver nenhuma questão ou problema", garantiu o chefe da diplomacia do gigante asiático.

As palavras do ministro chinês foram uma resposta a uma pergunta sobre as informações surgidas nos Estados Unidos, e confirmadas depois por Taiwan, de que a China teria instalado baterias de mísseis terra-ar em uma das ilhas do arquipélago Paracel (ou Paracelso), que é controlado pela China, mas também é reivindicado por Taiwan e Vietnã.

A emissora americana "Fox News" informou hoje que a China dispõe de um sistema de lançamento de mísseis terra-ar na ilha Woody, nesse arquipélago.

A "Fox" mencionou imagens tomadas por satélites da ImageSat International nas quais é possível ver duas baterias de oito lançadores de mísseis terra-ar e um sistema de radares na ilha Woody, que é parte do arquipélago Paracel.

Os mísseis chegaram na semana passada, já que as imagens de satélite mostram a praia vazia em 3 de fevereiro e abrigando esses dispositivos a partir do dia 14.

Fontes militares de Taiwan confirmaram à Efe essas informações e o ministro das Relações Exteriores chinês, ao ser questionado sobre isso, disse "que é mais uma tentativa de alguns meios ocidentais de criar novas histórias".

Por outro lado, Wang recebeu de forma positiva uma das conclusões da cúpula entre os EUA e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que pede o fim de novas edificações e da militarização das zonas em disputa na região, mas ponderou que esse compromisso deve ser confirmado "com ações".

"A não militarização interessa a todas as partes e não deveria dirigir-se apenas a um país", em referência à China, afirmou o chefe da diplomacia de Pequim.

A ação chinesa é mais uma que contribui para o aumento das tensões na região desde que no ano passado se soube, através de imagens tomadas via satélite, que o gigante asiático realizou construções de grande porte e complexidade em ilhotas e recifes das ilhas Spratly, transformando-as em autênticas ilhas artificiais, inclusive com pistas de pouso e guarnições militares.

Esses dois arquipélagos são disputados por vários países da região. As ilhas Paracel são controladas pela China, mas Taiwan e Vietnã também reivindicam sua soberania, enquanto o arquipélago das Spratly, que são mais dispersas, é controlado parcialmente por China, Filipinas, Taiwan, Vietnã e Malásia, enquanto Brunei também mantém reivindicações sobre as ilhas.

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