Governo dos EUA alega que ordem dirigida à Apple afeta um único iPhone

Washington, 17 fev (EFE).- O governo dos Estados Unidos alegou nesta quarta-feira que a ordem judicial dirigida à empresa Apple para que desbloqueie o iPhone usado por um dos autores do tiroteio de dezembro em San Bernardino somente terá impacto nesse telefone, já que não se está pedindo à empresa que "redesenhe" seus produtos.

O Departamento de Justiça e o Birô Federal de Investigações (FBI) "não estão pedindo à Apple para redesenhar ou criar uma nova 'porta traseira' em um de seus produtos", declarou em sua entrevista coletiva diária o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

"Eles simplesmente estão pedindo algo que teria impacto em um único dispositivo", completou.

Além disso, o porta-voz lembrou que o pedido está "diretamente relacionado" com a investigação em andamento do FBI sobre o ataque terrorista de San Bernardino (Califórnia), que deixou 14 mortos no último dia 2 de dezembro.

De acordo com a ordem emitida pela magistrada Sheri Pym, a Apple deverá fornecer ao FBI "assistência técnica razoável" para acessar o dispositivo móvel, o que fundamentalmente se traduz em "pirateá-lo" para desativar o sistema de segurança que elimina os dados do telefone se não se introduz o código correto após várias tentativas.

No entanto, o executivo-chefe da Apple, Tim Cook, afirmou em carta dirigida aos clientes da empresa que a sugestão do governo americano de que a ferramenta criada para desbloquear o iPhone seria utilizada só uma vez "não é certa".

"Uma vez criada, a técnica poderia ser utilizada várias vezes em muitos dispositivos", advertiu Cook, que acrescentou que seria o equivalente a "uma chave-mestra capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras, de restaurantes e lojas a casas".

Earnest ressaltou que o presidente dos EUA, Barack Obama, considera "uma importante prioridade nacional" a investigação sobre San Bernardino e, portanto, o Departamento de Justiça e o FBI "podem contar com o pleno apoio" da Casa Branca para obter toda a informação possível sobre o ataque e seus motivos.

O iPhone que o FBI quer acessar era operado por Syed Farook, um dos autores do massacre, embora seja propriedade de seu empregador, a administração do condado de San Bernardino, que já deu seu consentimento para o registro.

O aparelho foi achado no veículo no qual Farook, de nacionalidade americana, e sua esposa paquistanesa, Tashfeen Malik, supostos seguidores do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), fugiam da polícia quando foram abatidos.

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