Latinos dos Estados Unidos voltam ao México para ver o papa na fronteira

El Paso (EUA), 17 fev (EFE).- Do estado de Utah, nos Estados Unidos, a Chihuahua, no México, são 15 horas de estrada, um percurso que Mia e sua família fizeram em uma caravana de três carros para poder estar perto do papa Francisco hoje: "Viemos ver Deus", confessou.

Mia e a família são um exemplo das centenas de latinos que, vindos de todas as partes dos Estados Unidos, cruzaram o México para acompanhar à visita do pontífice à fronteira. A maioria é da cidade de El Paso, no Texas, município 675 mil habitantes, 80% hispanos e que compartilham algo mais do que uma divisão na fronteira com Ciudad Juárez.

Flor e sua irmã Margarita são justamente de El Paso. Elas ganharam duas das 10 mil entradas que as igrejas católicas da região rifaram entre seus fiéis para a missa que reunirá 220 mil pessoas em Ciudad Juárez. Ansiosas, elas não quiseram ir à cidade só no dia da celebração e, por isso, cruzaram ontem a fronteira "para ver como estava tudo" e para não ficar nos engarrafamentos.

"Muita gente quer vir, mas tem medo de atravessar, alguns pela violência, outros simplesmente porque não têm passaporte e não poderiam retornar. Esse é um problema", explicou à Agência Efe Flor, que tem família em ambos os lados da fronteira.

Embora Ciudad Juárez não tenha mais o mesmo perigo que teve um dia, a sensação de insegurança continua presente para muitos.

"Não falem muito para que não percebam que vocês não são daqui", aconselhava uma mulher a um grupo de amigas que veio da Califórnia.

Muitos dos que viajam não tem o ingresso para ir à missa. O único objetivo é ver Francisco de perto quando ele passar no papamóvel.

Esse é o caso de Mia e família. Mesmo sabendo que com sorte verão o papa passar rapidamente, eles chegaram cedo a Ciudad Juarez para pegar um bom lugar em uma das ruas pelas quais o papa irá passar. Seus filhos e sobrinhos estão no grupo e ela espera conseguir uma bênção do pontífice a algum deles.

À fronteira também chegaram caravanas vindas de cidades como San Antonio, no Texas, e Albuquerque, no Novo México, muitos com viagens organizados por suas paróquias. Embora o papa tenha estado em setembro do ano passado nos Estados Unidos, muitos hispânicos se sentem mais próximos à mensagem com a qual o pontífice chega a Ciudad Juárez, dirigido à migração.

De acordo com o bispo de El Paso, Mark Seitz, as palavras do pontífice serão ouvidas em Washington, na Cidade do México e nas capitais centro-americanas por conta do tratamento "desumano" que muitos latinos recebem em todo o seu processo migratório.

A previsão é de que a missa em Ciudad Juarez comece às 16h (21h em Brasília) e termine às 18h (23h em Brasília), horário em que o papa deixará o México e os hispânicos que viajaram para este evento retornarão aos Estados Unidos.

Flor e Margarita querem evitar aglomerações e voltar a El Passo logo, mas talvez fiquem mais uma noite na cidade mexicana.

"Um amigo que trabalha na migração me disse que haverá filas de até cinco horas nas pontes".

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