Presidente de Conselho Europeu diz não haver garantias de acordo com R.Unido

Bruxelas, 17 fev (EFE).- O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou nesta quarta-feira que "não há garantias ainda" de que os 27 membros da União Europeia e o Reino Unido chegarão a um acordo que permita a esse país permanecer na UE, após as consultas que fez nas últimas horas.

"Depois das minhas consultas nas últimas horas, tenho que dizer francamente: não há nenhuma garantia ainda que alcançaremos um acordo", afirmou o político polonês em sua carta de convite aos chefes de Estado e de governo da União Europeia (UE) para a cúpula europeia de dois dias que começará amanhã em Bruxelas.

"Discordamos em alguns aspectos políticos e estou plenamente consciente que será difícil superá-los", explicou Tusk, que pediu a todos os líderes para "permanecerem construtivos" nas negociações com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

O presidente do Conselho Europeu indicou que as negociações estão em um estado "muito avançado", por isso os chefes de Estado e do governo dos países comunitários devem "aproveitar esse impulso" e fechar um acordo sobre as exigências do Reino Unido para permanecer na UE, já que o país realizará um referendo sobre o tema.

"Não haverá um momento melhor para um compromisso. É nossa unidade que nos dá força e não podemos perdê-la", ressaltou.

Um fracasso, advertiu, significaria "uma derrota e tanto para o Reino Unido e para a UE, mas, sobretudo, uma vitória geopolítica para aqueles que buscam nos dividir".

Os líderes trabalharão sobre a base da proposta que Tusk apresentou em 2 de fevereiro sobre as quatro áreas nas quais o Reino Unido exige reformas: a governança econômica, a competitividade, a soberania, os benefícios sociais e a livre circulação.

Hoje mesmo os negociadores enviarão às capitais "esclarecimentos técnicos e jurídicos, mas todos os elementos políticos permanecerão abertos para amanhã", precisou.

O objetivo, ressaltou, foi claro desde o princípio: alcançar um acordo legalmente vinculativo e irreversível que responda às preocupações do Reino Unido e que, ao mesmo tempo, seja satisfatório para os demais membros.

Tusk reiterou que a UE "não passará por cima de seus valores fundamentais" em suas concessões ao Reino Unido.

A meta continua ser "alcançar um acordo esta semana", em uma cúpula que será "um momento crucial para a unidade da UE e para o futuro das relações do Reino Unido na Europa", acrescentou.

Após a tradicional troca de pontos de vista com o presidente do parlamento Europeu, Martin Schulz, e a foto de família, os líderes terão uma primeira sessão de trabalho sobre a questão britânica para que todos os chefes de Estado e de governo possam expressar suas posturas e suas inquietações.

No entanto, como se tratará de um acordo legalmente vinculativo, será preciso "tempo para avaliar todas as mudanças necessárias durante a noite e voltar a esta questão na sexta-feira de manhã", quando Schulz se somará ao debate.

Durante o jantar, os líderes abordarão a crise de refugiados, depois de terem definido, no encontro de dezembro, uma série de prioridades.

Segundo Tusk, os relatórios da presidência holandesa, atualmente no turno do Conselho da UE e da Comissão Europeia, mostram que a estratégia "está começando a dar resultados", mas que o progresso registrado até agora "não é suficiente".

"Quero que mantenhamos a pressão sobre todos os elementos de nossa estratégia", afirmou, também no plano do acordo de ação conjunta da UE com a Turquia.

Na agenda também consta a situação na Síria e na Líbia, assim como recomendações para a zona do euro dentro do semestre de coordenação das políticas macroeconômicas.

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