Yatseniuk defende nova coalizão após superar moção de censura na Ucrânia

Kiev, 17 fev (EFE).- O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, defendeu nesta quarta-feira a formação de uma nova coalizão de governo com a inclusão do Partido Radical, que a abandonou ano passado, após a fracassada moção de censura contra o Executivo.

"Entabulamos consultas, inclusive com o Partido Radical, para reformar o governo, renovar o acordo de coalizão, modificar a composição do gabinete de ministros e seguir adiante com as reformas", disse Yatseniuk, citado pela imprensa local.

Yatseniuk, quem se nega a renunciar, garantiu que teve hoje consultas com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, cujo partido interpôs ontem no parlamento a moção de censura contra o governo, iniciativa que não prosperou por falta de votos.

Também se reuniu com o populista Oleg Liashko, líder do Partido Radical (PR), que deixou a coalizão em setembro de 2015, e que agora, disse hoje o primeiro-ministro, estaria disposto a se reintegrar, mas "com novas regras e princípios".

O apoio do PR poder ser fundamental depois de a ex-primeira-ministra e líder do Batkivshina, Julia Tymoshenko, anunciasse hoje a saída de seu partido da maioria parlamentar.

Além disso Autoajuda, partido onde todos os deputados menos um apoiaram ontem a moção contra Yatseniuk, realizará amanhã, quinta-feira, uma reunião extraordinária em que poderia anunciar também sua ruptura com a coalizão europeísta.

Nesse caso, o Bloco Petro Poroshenko (136) e a Frente Popular (81) somariam 217 cadeiras, seis a menos que a maioria absoluta de 226 na Rada Suprema (o parlamento).

Por isso, necessitariam do apoio dos 21 deputados do PR, dos quais 15 também votaram ontem contra o governo de Yatseniuk.

Caso se rompa a coalizão, o governo se manteria interino à espera da formação de uma nova maioria parlamentar em um prazo máximo de 30 dias.

Caso os partidos não cheguem a um acordo, seriam convocadas eleições parlamentares antecipadas, algo que o próprio Poroshenko se pronunciou contra ao pedir a Yatseniuk que deixasse voluntariamente o cargo para permitir a formação de um governo de tecnocratas reformistas desvinculados dos grupos de pressão.

O primeiro-ministro reconheceu hoje que a moção contra seu governo provocou "uma crise política", e acusou os que estariam interessados em eleições antecipadas.

"Isto não é outra coisa que a luta pelo poder. Dirigimos a todas as forças políticas responsáveis, ao presidente e à sociedade para dizer que devemos avançar pelo caminho da reforma e da mudança", ressaltou.

Segundo os analistas, Yatseniuk foi salvo pelo empresário Rinat Ajmetov, com quem estariam associados os 39 deputados do partido de Poroshenko que infringiram a disciplina parlamentar e não apoiaram a moção de censura respaldada por seu próprio líder.

Até o governador da região de Odessa, o ex-presidente georgiano Mikhail Saakashvili, um dos políticos mais críticos à gestão de Yatseniuk, falou de "um golpe de Estado dos oligarcas", que querem continuar controlando a economia nacional.

"Ontem aconteceu o que sempre acontece quando após uma revolução não têm lugar reformas revolucionárias, a restauração do antigo regime", disse.

Enquanto isso, na Rada os deputados que apoiaram a moção de censura boicotaram a sessão de hoje, o que impediu o quórum necessário para a aprovação de leis parlamentares.

Yatseniuk assumiu o cargo há quase dois anos depois da derrubada do então presidente, Viktor Yanukovich, e após receber o apoio de 371 deputados, um resultado sem precedentes na Ucrânia.

No entanto, segundo as pesquisas, apenas não 8% dos ucranianos apoiam hoje sua gestão, que foi duramente criticada por membros de seu governo e por seus aliados por ser incapaz de combater a corrupção e de introduzir reformas estruturais.

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