Detenção de candidato opositor aumenta tensão durante eleições em Uganda

Charles Mpagi.

Campala, 18 fev (EFE).- Os ugandenses foram às urnas nesta quinta-feira para escolher seu próximo presidente em um dia marcado por uma grande tensão após a detenção do principal candidato opositor e o bloqueio do acesso às redes sociais ordenado pelo governo de Yoweri Museveni, no poder durante três décadas.

Pouco depois que começassem a fechar os primeiros colégios eleitorais, o principal candidato opositor, Kizza Besigye, foi detido pela polícia na capital e levado pouco depois a sua casa.

A detenção aconteceu quando o candidato do Fórum por uma Mudança Democrática (FDC) tentou entrar em escritórios de segurança governamentais onde, segundo denunciou, poderia estar acontecendo uma manipulação eleitoral.

No entanto, a polícia assegurou que Besigye não foi detido, mas apenas "escoltado" até sua casa após ter o acesso negado a esta instalação de segurança onde os civis não podem entrar.

A tensão esteve presente durante toda a jornada eleitoral, já que, apesar da maioria dos centros de votação ter aberto suas portas no horário marcado, em muitos locais ocorreram atrasos consideráveis por falta de cédulas e urnas que provocaram violentos protestos.

Na região de Elgon se viveram momentos de tensão quando dezenas de eleitores protestaram após descobrir que em seus colégios eleitorais só havia cédulas para votar nos candidatos parlamentares ou que as cédulas já estavam marcadas para alguns candidatos, segundo a imprensa local.

Em Munyonyo, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar os cidadãos que protestavam pelo atraso das cédulas, que ainda não tinham chegado a seu colégio eleitoral na parte da tarde.

A Comissão Eleitoral pediu paciência aos ugandenses e se desculpou por estes incidentes que provocaram a prolongação das votações durante horas e inclusive a suspensão até amanhã em algumas regiões.

A tensão aumentou quando as autoridades ugandenses bloquearam o acesso a redes sociais como Facebook, Twitter e Whatsapp a pedido da Comissão Eleitoral, que foi acusada pela oposição de favorecer Museveni.

A Comissão de Comunicação de Uganda alegou razões de segurança nacional para justificar o corte, que, segundo denunciou a Anistia Internacional, representa uma "flagrante violação dos direitos fundamentais dos ugandenses à liberdade de expressão e à informação".

Museveni, de 71 anos, votou em sua cidade natal de Rushere, no oeste do país, naquela que se apresenta como sua reeleição mais difícil durante as três décadas que está à frente do governo.

"Podemos trabalhar com essa gente (a oposição) se levarem a sério o desenvolvimento do país", disse o presidente aos jornalistas após depositar seu voto, momento no qual explicou que as redes sociais tinham sido restringidas para "deter a criação de problemas".

As pesquisas lhe dão uma vitória bastante ajustada em um momento em que sua popularidade está em níveis mínimos, especialmente pelas denúncias das organizações da sociedade civil pelo entorno de intimidação que sofrem as vozes críticas no país.

Seu principal rival, Besigye, votou na cidade de Rukungiri, horas antes de ser detido pela segunda vez esta semana.

Na segunda-feira ele já havia sido detido em uma manifestação e posto em liberdade pouco depois, o que provocou protestos de seus eleitores na capital, que foram reprimidos pela polícia com disparos que deixaram pelo menos um morto e quatro feridos.

Devido ao clima de tensão vivido nos últimos dias, as autoridades desdobraram a polícia militar nas ruas da capital Campala e em outras grandes cidades do país, enquanto alguns estabelecimentos fecharam suas portas por medo de possíveis distúrbios.

Museveni concorre pela quarta vez à reeleição após ter ganhado todos os pleitos realizados desde 1996, dez anos depois do fim da guerra civil (1980-1986) após a qual se autoproclamou presidente.

No entanto, os três milhões de eleitores novos registrados nessas eleições poderiam exercer um papel determinante na hora de configurar o novo mapa político dos próximos cinco anos.

No total, mais de 15 milhões de ugandenses estavam convocados às urnas nestas eleições presidenciais, legislativas e locais que podem mudar o rumo do país africano.

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