Egito se despede do ex-secretário da ONU, Boutros-Ghali, com todas as honras

Cairo, 18 fev (EFE).- Com um funeral de Estado e uma cerimônia religiosa na catedral copta da capital, o Egito se despediu nesta quinta-feira do ex-secretário-geral da ONU e diplomata egípcio, Boutros Boutros-Ghali, que morreu no Cairo há dois dias, aos 93 anos, após sofrer uma fratura de quadril.

Estiveram presentes na cerimônia, que aconteceu na capela familiar no complexo da catedral central, situada no bairro de Abassiya, destacados dirigentes egípcios e da comunidade internacional, como a diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova.

Bokova pronunciou um breve discurso no qual destacou que Boutros-Ghali era "um verdadeiro humanista", "um homem que escutava a todos" e "um símbolo dos princípios e dos valores" que promoveram a estabilidade e a paz no mundo.

Também estiveram presentes diplomatas egípcios como Amre Moussa, ex-secretário geral da Liga Árabe e antigo ministro das Relações Exteriores, que destacou o papel de Ghali nas negociações de paz com Israel, que culminaram com o acordo de Camp David de 1979.

O papa copta Teodoro II, que lidera a igreja cristã ortodoxa à qual Ghali pertencia, abençoou seu caixão envolvido na bandeira do Egito, após qualificá-lo como "fabricante de paz" e "mestre para as gerações" futuras.

"Hoje nos despedimos de um homem universal que não só teve influência na história egípcia, mas também na mundial", afirmou o patriarca copta, que também esteve presente no funeral de Estado realizado poucas horas antes.

A cerimônia militar aconteceu na região de Tagamu al Khamis, nos arredores do Cairo, e foi conduzida pelo presidente egípcio, Abdul Fatah al Sisi, acompanhado de membros de seu governo.

Os restos de Ghali descansarão na denominada capela Butrosiya, que pertence a esta destacada família de políticos, onde está enterrado também seu avô - primeiro-ministro entre 1908 e 1910.

O diplomata egípcio, nascido em 1922, foi eleito para o comando das Nações Unidas em 1992, em substituição do peruano Javier Pérez de Cuéllar, e ocupou o cargo até 1996. Foi o primeiro africano a ser secretário-geral da ONU, antes do ganês Kofi Annan.

Também ocupou diferentes postos no governo egípcio, onde foi ministro de Estado de Relações Exteriores entre 1977 e 1991 e presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos egípcio, entre 2003 e 2012.

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