Líder curdo-sírio nega envolvimento da YPG no ataque em Ancara

Beirute, 18 fev (EFE).- O líder político curdo-sírio Saleh Muslim negou nesta quinta-feira qualquer envolvimento das Unidades de Proteção do Povo (YPG), a principal milícia curda que atua na Síria, no atentado de ontem em Ancara, como acusou a Turquia.

"Negamos as acusações do governo turco, não temos nada a ver com esse atentado, nem nos introduzimos nos assuntos internos da Turquia", disse à Agência Efe por telefone o presidente da principal formação política curdo-síria, o Partido da União Democrática, cujo braço armado são as YPG.

Muslim negou que a pessoa que a Turquia considera o autor do ataque suicida esteja vinculado às YPG.

"Nem sequer conhecemos essa pessoa", sentenciou Muslim, para quem as acusações das autoridades turcas devem levar em consideração o recente avanço dos combatentes curdo-sírios no norte de Aleppo, aos que o exército turco respondeu com bombardeios desde sábado.

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, acusou hoje às YPG de cometer, em coordenação com a guerrilha curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), o atentado suicida de ontem em Ancara, que matou 27 militares e um civil.

Em discurso na chefia do Estado-Maior do exército, retransmitido pela televisão, o chefe do governo identificou o suspeito de ter executado o ataque como Saleh Mercan, nascido em 1992 na cidade de Amude, no norte da Síria.

Segundo Davutoglu, nove pessoas foram detidas por terem ligação com este atentado, perpetrado em uma região central da capital turca ontem durante a passagem de um comboio de ônibus militares que transportavam soldados para suas casas.

Em comunicado, o Comando Geral das YPG qualificou as palavras do primeiro-ministro turco de "mentiras distantes da realidade".

Na sua opinião, "com suas declarações Davutoglu quer aplainar o caminho para uma ofensiva na Síria e em Rojava (as áreas da autoproclamada administração interina curdo-síria), e esconder sua relação com o EI (Estado Islâmico), que é conhecida por todo o mundo".

O Comando Geral das YPG reiterou, além disso, que não têm vínculos com o atentado.

"E não só com este caso específico, porque nunca estivemos envolvidos em nenhum ataque contra a Turquia", afirmou a nota.

"Apesar de todos os ataques (da Turquia) e das provocações, as YPG nunca se envolveram em nenhuma atividade militar contra o Estado turco até agora", declarou.

A Turquia luta tanto em seu próprio território como no norte da Síria e do Iraque contra as milícias curdas, que considera terroristas.

No caso sírio, Ancara quer evitar a todo custo que os curdos estabeleçam no país vizinho uma região autônoma.

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