Delegados das Farc violaram acordos em visita à Colômbia, denuncia governo

Bogotá, 18 fev (EFE).- O chefe da equipe negociadora do governo colombiano nos diálogos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Humberto de la Calle, afirmou nesta quinta-feira que os delegados da guerrilha nas conversas de paz "violaram" os acordos alcançados para as visitas a seus acampamentos ao manterem contato com a população civil e por estarem armados.

"Na última visita, o grupo liderado por 'Ivan Márquez' (chefe da equipe negociadora das Farc), violou as regras estipuladas de não ter trato com a população civil e muito menos participar com homens uniformizados e armados em um evento público com a comunidade", disse De la Calle em uma declaração na sede do Executivo colombiano.

Horas antes, vários setores políticos denunciaram que "Márquez", conhecido como de Luciano Marín Arango, e "Joaquín Gómez", conhecido como de Milton de Jesús Toncel Redondo, visitaram o vilarejo de Conejo, no departamento de La Guajira (norte), onde participaram de um ato público, escoltados por um grupo de guerrilheiros fortemente armados.

Durante seu pronunciamento, De la Calle disse que por causa da situação produzida pela visita de hoje, o governo solicitou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e aos países mediadores do processo de paz, Cuba e Noruega, "que tomem as medidas necessárias para que o grupo liderado por 'Ivan Márquez' retorne a Havana o mais breve possível, de acordo com os protocolos de segurança estipulados".

Além disso, o chefe negociador do governo colombiano afirmou que, por instruções do presidente Juan Manuel Santos, "as visitas dos delegados das Farc a seus acampamentos para fazer pedagogia sobre os acordos estão suspensas".

De la Calle disse que as visitas foram autorizadas "no ano passado" para que os representantes das Farc na mesa de diálogo fossem a seus respectivos acampamentos para explicar aos integrantes da guerrilha os acordos alcançados nos diálogos que começaram há mais de três anos e que esperam concluir no dia 23 de março.

"O governo tem consciência que, para se chegar ao fim do conflito e sustentar uma paz estável e duradoura, os integrantes das Farc devem conhecer os acordos alcançados e devem se comprometer com eles", acrescentou De la Calle.

Nesse sentido, o chefe negociador do governo acrescentou que, até o momento, aconteceram cinco visitas à Colômbia de representantes das Farc e que "para garantir seu bom desenvolvimento", o governo "adotou as medidas de segurança necessárias".

"Para o governo, uma regra fundamental deste acordo é que não haverá política com armas e nessa medida, esta é uma violação inaceitável", concluiu o De la Calle.

O dirigente do partido opositor Centro Democrático e ex-candidato presidencial, Óscar Iván Zuluaga, publicou hoje no Twitter várias fotografias que mostram "Joaquín Gómez" descendo de um palanque aparentemente montado para um ato público.

Na imagem, "Gómez", porta-voz do grupo armado e membro do Secretariado (comando central das Farc), está acompanhado por pelo menos seis guerrilheiros fortemente armados.

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