Governo dos EUA vai à justiça para que Apple cumpra ordem do FBI

San Francisco, 19 fev (EFE).- O Departamento de Justiça dos EUA apresentou uma moção para obrigar a Apple a cumprir com a ordem do FBI e ajude a desbloquear o iPhone usado por um dos autores do tiroteio de dezembro na cidade californiana de San Bernardino, no qual morreram 14 pessoas.

"Em vez de ajudar aos esforços para que se possa investigar plenamente um atentado terrorista mortal, a Apple respondeu repudiando a ordem" de um tribunal federal, afirmou o Departamento de Justiça na moção apresentada hoje.

O governo dos EUA sustenta que a recusa da empresa tecnológica a desbloquear o telefone "parece estar baseada em sua preocupação por seu modelo de negócios e a estratégia de marketing de sua marca".

A Apple se negou nesta semana a cumprir a ordem de uma juíza federal de criar uma nova versão do sistema operacional do iPhone que drible funções de segurança importantes e seja instalado no telefone do atirador de San Bernardino, cuja ação é investigada pela polícia como um ato de terrorismo.

O CEO da Apple, Tim Cook, afirmou na quarta-feira, em carta enviada aos clientes da empresa, que a decisão da juíza federal Sheri Pym representa "um passo sem precedentes" que "ameaça" a segurança dos clientes da companhia.

"Nos opomos a essa ordem, que tem implicações além do caso legal em questão", ressaltou Cook.

A magistrada Sheri Pym ordenou na terça-feira que a Apple ajude o FBI (polícia federal americana) a desbloquear e acessar o telefone usado por Syed Rizwan Farook, que morreu por tiros da polícia junto com sua esposa, Tashfeen Malik, depois que ambos atacaram seus companheiros de trabalho em San Bernardino no dia 2 de dezembro.

O aparelho foi encontrado pelos agentes no veículo em que Farook, de nacionalidade americana, e sua esposa, paquistanesa, fugiam da polícia quando foram abatidos. Ambos eram supostos seguidores do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

A decisão da magistrada Pym representa uma grande vitória para o governo americano. A moção divulgada hoje pelo Departamento de Justiça pede à juíza federal que faça cumprir a ordem que pede que a Apple colabore com o FBI.

Analistas afirmam que a decisão do Departamento de Justiça não é uma surpresa e vem após a Casa Branca insistir nesta semana que o FBI não quer uma chave-mestra que o permita aceder todos os telefones, mas simplesmente entrar em um único iPhone. No entanto, Cook insiste que essa afirmação "não é certa".

"Uma vez criada, a técnica poderia ser utilizada várias vezes em muitos dispositivos. Seria o equivalente a uma chave-mestra capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras, desde restaurantes e lojas a casas. Nenhuma pessoa razoável consideraria isso aceitável", alertou Cook na quarta-feira.

A Apple tem até o 26 de fevereiro para responder formalmente à magistrada Sheri Pym.

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