Rússia reduzirá 5% despesa em defesa para combater a recessão

Moscou, 19 fev (EFE).- A Rússia reduzirá em 5% a despesa em defesa para combater a recessão econômica dentro de um plano anticrise que o governo apresentará na próxima semana, informou nesta sexta-feira o jornal "Vedomosti".

Segundo informaram fontes oficiais, os cortes chegarão a cerca de 160 bilhões de rublos (cerca de 2 bilhões de euros), quando o orçamento de defesa para este ano é de 3,1 trilhões de rublos (36,5 bilhões de euros).

Os cortes afetarão principalmente os contratos de fornecimento de armamento e outros equipamentos militares assinados pelo Ministério da Defesa, os planos de modernização das Forças Armadas e os programas de pesquisa.

Esses pedidos e programas, que representam 68% da despesa total, serão reduzidos em 7% ou quase 150 bilhões de rublos (1,7 bilhão de euros).

O analista militar, Ruslan Pujov, disse que esse corte não afetará em nenhuma medida a capacidade de defesa nacional da Rússia, embora tenha destacado que isso se transformaria em um problema se o governo decidisse continuar cortando a despesa militar.

Onde não haverá cortes será nos salários dos militares, um setor que o presidente russo, Vladimir Putin, considera intocável, mais ainda em um ano eleitoral, já que em setembro há pleito legislativo.

Também não deveriam ser afetados os programas de rearmamento estratégico, ou seja, os mísseis intercontinentais (Topol e Bulava), submarinos atômicos e os bombardeiros.

A fonte oficial também destacou que os cortes previstos não influirão na atual operação aérea na Síria, que começou há quase seis meses.

A esse respeito, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, não quis comentar um possível corte em defesa, embora tenha admitido que o governo trabalha com vários planos de redução de despesas.

Até agora, Putin tinha se negado a reduzir as despesas militares, falando que o programa de rearmamento até 2020 é crucial para a defesa dos interesses nacionais.

A ala liberal do governo defendeu em várias ocasiões diminuir as despesas em defesa, ao considerar que é a única forma de manter intactos os programas sociais.

De fato, o drástico aumento da despesa militar foi o motivo da saída do governo em 2011 do ministro das Finanças, Alexei Kudrin, aliado próximo de Putin desde sua chegada ao poder.

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