Suposto bombardeio estrangeiro contra o EI na Líbia deixa 40 mortos

Trípoli, 19 fev (EFE).- Aviões de combate estrangeiros mataram nesta sexta-feira pelo menos 40 pessoas, entre elas mulheres e crianças, em um bombardeio sobre supostas posições do braço líbio do grupo jihadista Estado Islâmico na cidade de Sabratah, ao oeste da Trípoli, informaram à Agência Efe fontes de Segurança.

Segundo seu relato, o ataque aconteceu durante a madrugada contra um imóvel situado no bairro de Qasr Talil, nos arredores da cidade, no meio caminho entre Trípoli e a fronteira com a Tunísia, e todas as vítimas do mesmo são de nacionalidade estrangeira.

"Há pelo menos seis feridos em estado grave. Nenhum dos mortos é de nacionalidade líbia", afirmou.

O jornal "The New York Times", que cita fontes anônimas de segurança ocidentais, assegura que os caças-bombardeiros pertenciam ao Exército americano e que o alvo era um conhecido jihadista tunisiano que foi à Líbia após combater com o EI na Síria e Iraque.

Fontes de Segurança locais indicaram à Agência Efe, por sua vez, que o alvo seria um homem conhecido como Nuredine Chouchane e que atualmente autoridades tentam confirmar se o mesmo morreu na operação.

Se a morte for confirmada, este seria o primeiro bombardeio ocidental sobre a Líbia desde que há um ano os governos rivais de Trípoli e Tobruk iniciaram um diálogo sob a tutela da ONU para tentar pôr fim à divisão e preencher o vazio de poder que ameaça o país.

Além disso, o mesmo ocorreu entre insistentes notícias sobre a possibilidade de uma nova intervenção militar estrangeira -à qual se opõem os países vizinhos-, similar à de 2011 que contribuiu para derrocada da ditadura de Muammar Kadafi.

À lacuna política se une a divisão militar, com três grandes forças, uma em Trípoli, outra em Tobruk e a milícia ao comando de Ibrahim Jibran, encarregada de defender as instalações petrolíferas, que combatem entre si mesmas e lutam contra os jihadistas sem coordenação.

Esta situação é aproveitada por grupos jihadistas vinculados ao Estado Islâmico (EI) e à organização da Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), que ganharam terreno e estenderam sua influência ao resto do norte da África.

No último ano, os jihadistas consolidaram posições na cidade oriental de Derna, sua principal sede, e ampliaram o território sob seu controle, que agora inclui bairros em Benghazi e a cidade de Sirte, seu reduto mais importante no litoral do Mediterrâneo.

No começo de janeiro lançaram, além disso, uma ofensiva contra os importantes portos petroleiros de Sidra e Ras Lanuf, que a duras penas foi repelida pela milícia privada que os defende e abriram campos na zona de Sabratah.

Esta cidade, que acolhe um dos conjuntos monumentais romanos mais importantes do Mediterrâneo, se transformou na primeira parada dos jihadistas que chegam ao Líbia desde o Sahel através da porosa fronteira com Tunísia.

Há alguns meses, supostos jihadistas atacaram no local um comboio do embaixador da Sérvia -que pôde fugir para a Tunísia- e sequestraram dois diplomatas.

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